Confesso que dos chamados filósofos clássicos dos quais tive acesso aos seus escritos, Feurbach é um dos que grande parte das suas ideias eu não concordo.
Entretanto, não significa dizer que o mesmo não tivesse uma maneira agradável de expô-las. O fato de não concordar, não significa que sua obra deva ser desprezada.
Recentemente, fiquei imaginando se o primeiro filósofo da esquerda hegeliana estivesse vivo e morasse no Brasil, o que aconteceria com ele. Digo isso, pelo fato de ter
tido acesso, a um artigo escrito pelo ex-ministro da justiça José Paulo Cavalcanti Filho, onde ele fez um breve relato de algo que presenciou de uma mãe que perdera seu filho, durante o chamado anos de
chumbo. Embora tenha sido diagnosticada com câncer e em estágio terminal, disse ao médico que enquanto não encontrasse os restos mortais do filho, não morreria. Fato que realmente ocorreu.
Acontece, que os comentários feitos pelos leitores ao referido artigo, nos reportou ao pensamento do Feurbach quando afirmou que já estava na hora do ser humano pensar em uma transcendência horizontal.
Entendo a necessidade de pensar no outro.
Os comentários feitos pelos internautas com relação a morte do rapaz mencionado pelo ex-ministro, são destilações de veneno. É
o verdadeiro retrato do ódio, pois em nenhum momento o artigo busca justificar a morte do jovem, mas narrar a angústia de uma mãe em não saber onde se encontrava os restos mortais do seu filho.
Ou vocês não sabem que as verdadeiras mães, não estão preparadas para enterrar os filhos?
A postura do ódio externados nos comentários, mostra a capacidade da insensibilidade de alguns leitores, que sabem engolir osteas e fazerem orações,
só para aquilo que lhes convém. Aos demais, apliquem-se as medidas medievais e aos seus familiares também.
Ninguém é o brigado a concordar com o artigo do jurista, mas tripudiar do sofrimento de uma mãe é uma atitude no mínimo desprezível.
Mas Jesus já havia dito o seguinte: “porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios,
a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura (Mc. 7: 21 e 22). Observem que ele disse que é de dentro do coração dos homens e não de
alguns.
Será possível que algumas vidas sejam consideradas merecedoras de luto, e outras não? (Judith Butler).
P.S. Como perguntar nem sempre é ofender, surge a seguinte pergunta: por qual motivo, o presidente do Brasil é o único governante de uma nação, que
nunca fez um pronunciamento se solidarizando com os familiares das vítimas do coronavírus?
Palavras que explicam nosso momento. Parabéns.
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