Há correntes que buscam entender e explicar quem é o homem. Ao longo dos séculos, e principalmente com a crise do período dos mitos do mundo grego, as celeumas
continuaram. Seguidores do estagirista, defendem que o homem naturalmente é um ser social, pois nasceu para viver em sociedade. Contrapondo-se ao pensamento aristotélico, os adeptos do hobbesianismo, advogam
que o ser humano é egoísta por natureza e que vive em sociedade por necessidade e não por instinto natural.
Tentando explicar a natureza humana, existem também os que defendem que a mesma não existe e que tudo gira em torno do contexto histórico. Encontrando
respaldo nos escritos existencialistas de Sártre. Um dos grandes problemas com relação ao tema, é que nem mesmo entre os jusnaturalistas clássicos, nunca ouve unidade com relação
a natureza humana. Como exemplo de antagonismo temos Hobbes e Rousseau.
Em meio ao quadro de pandemia que estamos vivendo, o debate no que tange ao futuro da humanidade vem ganhando espaço. Até aqueles que em tese o seu foco não
é o estudo das ciências humanas, tem se arriscado em opinar sobre o tema. Os chamados otimistas, acreditam que ao final da pandemia, teremos uma sociedade mais justa onde a alteridade será visível
entre os povos. Creem que a solidariedade prevalecerá.
A ideia e o desejo do novo homem é algo pertencente não apenas ao mundo de alguns filósofos e sociólogos. As religiões também propagam
a ideia. É bem verdade que em outra perspectiva, basta se debruçar no pensamento agostiniano. Nem no mundo da academia existe unidade com relação ao futuro da humanidade.
Será que não é cedo para se criar uma expectativa com relação ao futuro da humanidade pós-coronavírus? Ou será que Maquiavel
não tem razão, quando afirma que o que muda são os problemas da sociedade, mas o homem é o mesmo. Caso o secretário de Florença esteja certo, cai por terra a teoria da era de aquário
e os que sobreviverem a pandemia, assistirão uma humanidade onde o egoísmo continuará predominando e a falta de amor ao próximo será cada vez mais presente entre os povos.
Acredito que não precisamos ser frankfurtianos para percebermos que a ignomínia continuará prevalecendo nas relações humanas. Todo nós
sabemos que é mais animador acreditar que dias melhores virão. Se o período pós-pandemia melhora o homem, por qual motivo a gripe espanhola não melhorou?
P.S. Parabéns ao presidente da República, que depois de três semanas das primeiras vítimas fatais no país por conta do coronavírus, prestou solidariedade
aos parentes que perderam seus entes queridos.
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