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Mostrando postagens de julho, 2020

LEITURA EQUIVOCADA

  A recente decisão do prefeito da cidade de São Sebastião do Rio de janeiro, em cancelar a festa de réveillon na praia de Copacabana, vem sendo motivo de muita histeria e de leitura preconceituosa. Todos sabem que a pandemia veio de maneira tenaz alterar a agenda dos habitantes da Terra. Mesmo assim, há aqueles que insistem em apresentar uma maneira de desqualificar a decisão do prefeito, onde o que vale é ser contra tudo e se quer propor uma alternativa para solução do problema.   Um dos argumentos apresentados para tomada de decisão do prefeito do Rio de Janeiro, segundo seus opositores é por ser pastor protestante. Daí, já se percebe o primeiro equívoco histórico. O protestantismo foi um movimento surgido no século XVI, do qual a entidade religiosa que o prefeito é filiado não possui nenhuma ligação. Para tanto, basta saber que o mesmo pertence ao grupo dos neopentecostais que surgiram no século XX. Algo bem recente. O segundo equívoco, é atribuir a decisão pelo fat...

CANDIDATURA FAKE NEWS

  Quem aspira algum cargo é chamado de candidato. Mas foi na esfera pública onde o nome tornou-se corriqueiro. A origem da palavra é no sentido de alguém que veste uma indumentária branca, simbolizando pureza. Assim como fazia antigamente as noivas na festa do tálamo. Em tese, o candidato é alguém puro. Será?   O art. 14, V da Constituição que ainda vigora, afirma que uma das condições para a elegibilidade é a filiação partidária. Portanto, alguém que deseja ser candidato nas eleições seja municipal, estadual ou federal, tem que ser filiado a algum partido político. Não avançamos suficiente para termos candidaturas independentes, embora a mesma goze da simpatia de alguns ministros do STF. Muitos candidatos se filiam a um partido, não por convicções ideológicas. Na verdade, a maioria se quer conhecem o conteúdo programático do partido ao qual se encontra filiado.   Há candidaturas que não tem nenhum objetivo em ser vitoriosa nas urnas, mas barganhar c...

DESENCANTADO COM O MUNDO

 Considerado por muitos o maior intelectual do século XX, Maximilian Karl Emil Weber, nasceu em Munique no ano de 1864 e faleceu em 1920. Considerado um dos fundadores da sociologia, Weber, também era jurista e economista e deu contribuição nessas áreas. O léxico weberiano se faz presente em nosso meio sem que que muitas vezes saibamos. Expressões como monopólio da força, grupo político, poder racional, direito material e tantas outras, foram criadas, ou trazidas para o mundo científico por intermédio do intelectual de Munique. Não são poucos os que consideram sua obra, a última dos chamados clássicos da política. Weber defendia que o estudo das sociedades estão ligados ao entendimento da sua história. Sem compreensão do momento histórico tornar-se-ia possível entender costumes e comportamentos da mesma.   Na visão weberiana, o cientista social deve se dedicar ao que existe de conexão entre o que rege a sociedade e os aspectos da vida social. Weber não corroborava da...

DITADOR ROMANO

  As palavras mudam os sentidos ao longo dos anos. Muitas delas tinham um significado e com passar do tempo foram sendo utilizadas em outros contextos. Grande parte se deve a banalização dos termos. Isso para não falar de palavras que se quer existem, mas as pessoas utilizam, e quando alguém pronuncia de maneira correta é vista como uma figura do além. No campo da política não é diferente, procuram introduzir expressões que não se coadunam com o caso em tela.   Nos últimos tempos, a expressão ditadura vem sendo utilizada em um contexto bem diferente da sua origem. Não é de hoje que ela é aplicada em vários momentos históricos. Seu nascedouro vem da Roma antiga. O ditador romano possuía atribuições bem diferentes do que se tem atualmente. Seu “mandato” não poderia durar mais que seis meses. Havia legitimidade da função, pois a mesma estava prevista na Constituição, sendo justificada pelo estado de necessidade. O ditador romano a grosso modo, exercia sua função aos...

CANDIDATURA INVIÁVEL

Antes da vitória do Senhor Fernando Collor de Mello à presidência da República Federativa do Brasil, o sociólogo Gilberto Vasconcellos escrevera um livro com um título bastante sugestivo: Collor, a Cocaína dos Pobres:a nova cara da direita. A obra buscava fazer uma análise desprendida de paixões partidárias e apresentar o pragmatismo eleitoral que se avizinhava. Entre tantos relatos, o autor afirma categoricamente que a maneira viável para que a chamada esquerda brasileira saísse vitoriosa em outubro de 1989, era o Senhor Leonel de Moura Brizola encabeçar a chapa presidencial e o senhor Luiz Inácio Lula da Silva como o seu vice. Mas o autor alerta, que o PT por nenhuma hipótese abriria mão de ser o cabeça da chapa. Por conta da intransigência petista, Gilberto Vasconcelos afirma que Lula era o candidato mais fácil de ser derrotado em um eventual segundo turno. Felizmente, ou não, ele não errou. O segundo turno serviu para demonstrar a fragilidade eleitoral do PT, onde só obteve votaç...