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Mostrando postagens de janeiro, 2025

LAICIDADE NÃO É SINÔNIMO DE ATEÍSMO

  A primeira Constituição do Brasil de 1824, ainda no período do Império, explicitamente em seu art. 5°, recepcionava o Catolicismo Romano como a religião oficial. Era tão inerente a relação entre Igreja e Estado que até os cemitérios eram administrados pela igreja. Com a chegada da República, a nova Carta Magna de 1891, espancou a oficialidade religiosa do Estado. Agora, o país não possuía religião oficial e os cemitérios passaram para administração municipal, pois assim regia o art. 72, parágrafo 7°.   O tema ainda hoje serve para muitos embates. De um lado os que desejam que o Estado seja uma extensão do seu credo religioso, do outro, os que defendem o Estado laico. Porém, guardada as devidas proporções, não é difícil encontrarmos quem confunda laicidade com ateísmo.      Durante o governo da Senhora Dilma Rousseff, um procurador federal, requereu a retirada das cédulas do Real à expressão “Deus Seja Louvado”, para tanto, usou como argumento a laicidad...

NO MUNDO DAS SOMBRAS

  Quando jovem, o filósofo Platão, nutria o desejo de participar ativamente da política ateniense, mas a forma como se deu a condenação e morte de Sócrates fez com que repensasse seu projeto político. Não que tenha resolvido abandonar seus ideais, mas repensou o modelo de sua participação na vida pública.      Considerado um dos maiores escritores de todos os tempos, Arístocles (nome verdadeiro de Platão), deixou sua marca literária com um estilo próprio, onde os diálogos e as alegorias se fizeram presentes em sua pena. Entre tantos escritos, sua obra A República, certamente é a mais popular. Nela encontramos o famoso mito da caverna, uma “história” contada e recheada de lições. Ao apresentar uma sociedade que estava além da que existia dentro da caverna, o mestre ateniense alertou para os perigos quando alguém passa a enxergar de maneira opaca tudo àquilo que se encontra ao seu redor. Ao mesmo tempo, Platão nos ensina que romper com um mundo que nos é ofereci...

O MAL-ESTAR DAS PAIXÕES

    Quando Michel Foucault alertou da existência de palavras que são proibidas de serem mencionadas, na verdade, deve-se entender que são os temas que as carregam para um olhar muitas vezes tenebroso podendo ser entendido como raivoso. Alguém já disse que o ser humano é movido pelas paixões. Caso seja verdade, talvez seja o caminho para se tentar entender o comportamento que muitos adotam diante de algumas circunstâncias da vida.      Entre as paixões que movem o ser humano, a preferência por algum clube de futebol, faz com que, alguns assumam determinadas posturas que os levam a um comportamento destoado do que se espera de alguém considerado civilizado. Em tese, o torcedor é movido quase que sempre pela paixão ao ponto de não suportar qualquer tipo de comentário negativo com relação ao seu time preferido. Mesmo que a análise feita esteja recheada de axiomas. Até assim, o torcedor tenta descredenciá-la. Se o cronista esportivo aponta pontos grotesco do t...

TUDO SERÁ COMO ANTES

  Depois de uma disputa acirrada, algo que caracteriza as eleições municipais e com a posse dos prefeitos eleitos e os reeleitos, se espera que a população consiga receber o que lhe fora prometido durante a campanha. Para tanto, existem as secretarias e seus respectivos secretários (as), com a incumbência de realizarem as famosas entregas.   Bem se sabe, que nem sempre as distribuições dos cargos são inerentes à capacidade, mas aos acordos que são firmados.      Desarmados os palanques, os desafios já foram postos e quem foi vitorioso nas urnas, deve saber o que lhe espera. Na verdade, muitos municípios dependem exclusivamente das benesses federais, alimentando-se das migalhas que caem da mesa do rei. Talvez, os prefeitos reeleitos, sofrerão maiores cobranças, principalmente por não ter como fugir das comparações com o mandato anterior. Terá que se reinventar para não cair na mesmice e energizar sua equipe, procurando-a livrar do comodismo, algo que infel...

APENAS UM LEMBRETE

       Nenhuma grande transformação social ocorre de forma imediatista. Em regra, muitas delas duram anos e até séculos para se consolidarem. A consolidação da democracia em Atenas não foi diferente, depois de experimentarem por muito tempo os mitos como referência para “interpretar” a sociedade, os gregos foram percebendo sua fragilidade e aos poucos foram substituindo pelo logos, promovendo muito mais racionalidade nas respostas diante dos fatos que ocorriam principalmente em Atenas. Assim, foi dando guarida ao nascimento da democracia, ainda muito restrita, mas já era um avanço para época.      Recentemente, um grande instituto de pesquisa nacional, divulgou o percentual de brasileiros que recepcionam a democracia. Embora 69% simpatize, em 2022 o número era 72%, demonstrando uma pequena queda em dois anos. Ao mesmo tempo, 8% defendem que em certas circunstâncias é melhor uma ditadura e 17% é indiferente. O quadro brasileiro corrobora com...