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NEM SEMPRE FOI ASSIM

 

 

 

“Ninguém desiste porque quer, ninguém chora porque quer e ninguém muda porque quer. É que uma hora cansa e é necessário.” (Autoria desconhecida)

 

     O livro Pink and blue: Telling the boys from the gils in America (Rosa e Azul: distinguindo Menino de Meninas nos Estados Unidos). A autora Jo Paoletti, encontrou em suas pesquisas que utilizavam o rosa e o azul, como cores que identificavam meninos e meninas respectivamente. Falo assim, por estarmos  em um mês que é chamado de outubro rosa em alusão ao trabalho preventivo para com o câncer de mama, que atinge de maneira majoritária as mulheres. Mas no passado a cor simbolicamente representava os meninos por ser mais agressiva e o “azul” as meninas por aparentar ser mais “suave”. Talvez a ministra esteja precisando conhecer mais um pouquinho de história.

     No século VI a.C., as mulheres na Grécia usavam indumentárias cumpridas, chegando até aos pés. As mesmas eram amarradas abaixo dos seios, que ficavam expostos. Mas nem todas as mulheres vestiam-se assim, apenas as que pertenciam à nobreza e as escravas. Com relação aos bustos expostos das mulheres da nobreza, possuía a conotação de aproximação com as divindades. Quem olhar atentamente para as estátuas daquele período, perceberá que tanto no mundo grego como no romano, na maioria das vezes os seios estavam expostos. Para alguns estudiosos, é onde se encontra o nascedouro da sedução desses órgãos.

     O cirurgião Antonio de Pádua Betelli escreveu uma obra procurando explicar o significado das glândulas mamárias, no decorrer dos séculos. Segundo ele, para aqueles povos “o leite materno transmitia a raça”. Na civilização egípcia era permitido ao Faraó ter várias mulheres, mas apenas uma era que amamentava o filho que seria o herdeiro do trono. Em dias atuais há tribos no Sudão, em que as mulheres andam com os seios amostra, entretanto, além do marido, apenas os filhos podem tocá-los. Até mesmo os médicos são terminantemente proibidos. Quem os tocar, será condenado a pena capital.

     Na índia, os seios sempre foram entendidos como peça  erótica. Há um poema de autoria desconhecida que fala o seguinte: “Feito fruto, alimentam os filhos. Mas sobre tudo, saciam a fome dos homens maduros”. Parece-nos que em outros povos, quanto mais os seios atraíam o sexo oposto, mas foi sendo escondidos. Até os gregos a partir do século II a. C. deixaram de expô-los. Lembremo-nos das palavras de Dante, que afirma o     seguinte: “as penas do inferno a quem mostra suas infames tetas”. Na Idade Média, os seios eram vistos como os representantes do pecado.

     Para que a sociedade chegasse ao outubro rosa, como diria Ihering, foi e tem sido fruto de muita luta e que todos se mobilizem no intuito de uma melhor qualidade de vida, vencendo o pré-conceito.

     Olinda, 27 de outubro de 2021.

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