Considerado um dos grandes filósofos do século XX, Martin Heidegger deixou uma contribuição significativa ao pensamento filosófico, produzindo
obras memoráveis. Como nem tudo é perfeito, a vida do referido filósofo ficou marcada como nódoa de caju, por algumas decisões tomadas.
Quando estudou filosofia na Universidade de Freiburg, Heidegger foi aluno de Edmund Husserl. Quando seu professor recebeu o convite para lecionar na Universidade de Friburgo,
Heidegger o acompanhou e se tornou seu assistente e depois seu sucessor. Mas em 1933, Martin Heidegger filiou-se ao Partido Nazista, onde tempos depois foi nomeado reitor da Universidade de Friburgo. Talvez para agradar ao
governo, resolveu romper com Husserl já que o mesmo era de origem judaica. Fruto de muita pressão que recebeu da parte dos colegas, Heidegger renunciou ao cargo de reitor, mas jamais se disse arrependido por
haver servido ao governo do seu país. Assim como muitos que prestaram serviços em governos autoritários e que nunca disseram que foram tomados pelo arrependimento.
Recentemente, a indicação do novo ministro das Comunicações causou frenesi no meio político. Com uma trajetória política um
pouco turva, já que seu nome foi “lembrado” em delações da JBF e Odebrecht , e com uma história de apoio aos governos petistas. Visando se adequar, ou não contrariar ao governo
que resolveu fazer parte, tratou imediatamente de retirar qualquer vestígio de suas redes sociais que ligasse o seu nome ao período em que Lula e Dilma estiverem no comando do Planalto Central. Assim como Heidegger,
rompeu com os antigos aliados. Preferindo entregar-se aos braços de um novo amor. É que quando se fala em poder, para muitos tudo é possível, inclusive romper com velhas amizades, em troca das benesses
do poder. Certo dizia Martin Lutero: “não deixe ninguém comprar sua consciência”. Alguém já disse que ela é o nosso primeiro juiz.
Quando fragilizada, infelizmente prevalece as atitudes da conveniência.
No mundo da política, há aqueles que vivem esperando uma premiação e quando não chega, se tornam omissos, ou viram oposição,
mesmo que contrarie ao que sempre defendeu. Outros viram uma Madalena arrependida. O problema é como alcançar o perdão dos seus antigos pares. Bem nos ensina Francesco Carnelutti ao afirmar que Deus perdoa,
mas a sociedade não.
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