Durante a minha infância e início da adolescência, sempre por
volta das 18h chegava até onde residíamos um pedinte de esmolas que se chamava
Aníbal. Muito conhecido na cidade (Vitória de Santo Antão), Aníbal era de
estatura baixa, gordo e corcunda. Boa parte da população dizia que o defeito
físico era por conta de um banho quente que tomou e foi andar pelas ruas da
cidade, daí sofreu choque térmico. Confesso que não sei até onde pode ser
verdade, ou crendice popular.
Sempre acompanhado
de uma cesta de palha, onde carregava as esmolas que recebia, certa vez Aníbal
conversando comigo fez a seguinte pergunta: Paulo (sempre chamou-me assim),
qual é o dia do seu aniversário? Quando respondi, nunca mais ele esqueceu.
Sempre na data correta levava um sabonete da marca Carnaval para “Paulo”.
Quando a referida marca sumiu do mercado, trocou pelo sabonete Gessy.
Aproveitei para perguntar também o dia do seu aniversário e assim também o
presenteava. Tudo isso foi de um tempo que não volta mais. Hoje vivemos em
outra realidade, onde crianças não soltam pipa (papagaio), não jogão peão e nem
futebol de botão. Agora vivem enclausurados por causa da violência e do
computador. Estão antenados com o mundo e ao mesmo tempo distante do seu
semelhante. Mas deixa isso para lá. O fato é que muitos anos depois coloquei o
nome do meu filho primogênito de Paulo, sem em nenhum momento lembrar que era
assim que eu era chamado por Aníbal. Como diz Milton Nascimento: coisas da
vida!
P.S. Parabéns as aniversariantes do dia 15 de agosto. Senhora
Letícia Monteiro Cavalcanti e minha caçula Anita Gabriela.
Comentários
Postar um comentário