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ESPÍRITO PRIVADO

     Há vários temas que sempre estão na agenda diária dos meios de comunicação. Dentre eles, a tão decantada reforma política que, ao longo dos anos muito se tem falado e pouco tem sido feito para que a mesma saia do campo das elucubrações. O fato é que não existe por parte da maioria dos congressistas interesse para que a mesma venha acontecer.
     A operação “lava Jato” trouxe a tona um dos temas mais discutidos no campo da reforma, provocando um velho debate com relação ao financiamento público ou privado das campanhas eleitorais. Mas em recente cessão histórica, o Supremo Tribunal Federal decidiu que as mesmas devem ser custeadas pelo poder público. A decisão tomada pela Suprema Corte mexeu com o emocional e o espírito nada republicano do Presidente da Câmara Federal. Ninguém é ingênuo para acreditar que será decretado o fim do caixa dois nas campanhas eleitorais, porém haverá menos disparidade entre as candidaturas, pois quando se trata de poder o meio privado só investe em quem acredita ter reais chances de vitória.
     Para entendermos as nossas instituições, talvez seja necessário recorrer ao mestre Sérgio Buarque de Holanda quando afirmou que aqui não existe espírito público, mas só privado. Quem sabe assim, compreenderemos por qual motivo a corrupção se tornou algo cotidiano da agenda política nacional. Alguns afirmam que o dinheiro utilizado nas campanhas eleitorais deveriam ser destinados a saúde e a educação. O problema da falta de dinheiro para saúde e a educação não está no financiamento público das campanhas, mas nos desmandos administrativos e conseqüentemente na ausência de espírito público.


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