Ao final do século
III e início do século II a. C., a cidade de Atenas deu ao mundo o grande
divisor da filosofia ocidental. A princípio foi confundido como um novo
sofista, pela maneira como interagia com os alunos. Aos poucos começaram a
perceber que havia diferenças significativas entre o método e o pensamento
socrático com relação ao dos sofistas.
Mestres da
retórica, os sofistas eram relativistas, Sócrates não; eles cobravam para
ensinar, o ensino socrático era gratuito; o método dos sofistas era tecnicista
o de Sócrates era libertário. Mas o método socrático (ironia e maiêutica), não
agradava a classe dominante de Atenas, ao ponto que o acusaram de desrespeito
aos deuses e perverter os jovens. Ao ser julgado pelos atenienses, o grande
mestre foi condenado à morte, tendo que ingerir um veneno chamado cicuta.
O grande problema
de Sócrates é que ele não se rendeu ao modelo da sociedade espúria ateniense,
por isso, resolveram condená-lo. Costumava ouvir a todos da cidade independente
de classe social. Infelizmente, a postura adotada com relação ao mestre
ateniense não mudou. Quem ousa ter uma posição divorciada daquilo que é tida
como predominante, sofre algum tipo de retaliação. No Brasil, é proibido
divergir. E não venham querer dizer que a algo novo, pelo contrário, sempre se
fez presente no comportamento de boa parcela dos políticos (desconsiderando a
terminologia aristotélica). Até aqueles que hoje se apresentam como defensores
da liberdade de expressão, quando estiverem no poder adotaram postura
semelhante. Conviver com o contraditório é algo que se limita aos escritos do
mundo jurídico. O jogo dialético passa bem distante do cotidiano. Não podia ser
diferente para quem faz apologia ao caos social.
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