Frutos
da influência weberiana, muitos - por ignorância ou maldade - costumam atribuir
a Jean Calvino teorias que jamais fizeram parte de suas idéias. Sequer
mencionam que o reformador de Genebra procurou defender os que sofriam
perseguições políticas. Em 1545, ele não se esquivou em ficar ao lado dos
valdenses quando estes estavam sendo perseguidos. Buscou abrigá-los e chegou a
enviar Beza e Farel aos príncipes da Alemanha, visando proteger os refugiados.
Calvino acreditava que os governantes detinham a responsabilidade de promover
as renovações da sociedade. Sua influência na vida pública era tão grande, que
Canterbury enviou uma mensagem dizendo: “ele não poderia fazer nada mais útil
do que escrever ao rei com maior freqüência”. De fato, Calvino escrevia
comentários bíblicos e os enviava aos governantes do Velho Continente.
Diferentemente, a maioria daqueles que se
dizem calvinistas no Brasil limita-se a um comportamento apático quanto às
questões sociais. Basta observarmos a onda de protestos que tomaram conta das
ruas brasileiras. Infelizmente, não se ouviu até o momento declarações por
parte de líderes religiosos que se intitulam calvinistas, com relação às
referidas manifestações. Pelo contrário, procuram adotar uma postura
indiferente, utilizando como escudo uma ortodoxia morta.
A teologia reformada nunca foi limitada ao
academicismo, pelo contrário, quando aplicada de forma plena exerceu na
história tamanha influência entre as nações, que as mesmas reconhecem a sua
importância para as transformações sociais, provocando admiração por parte do
povo. Não que Calvino fosse favorável à baderna, pelo contrário, todas as vezes
que foi consultado sobre manifestação popular, externou claramente seu repúdio
a posturas de vândalos, mas nunca se eximiu em opinar e apoiar os levantes do
povo quando ancorados em direitos e conquistas sociais.
Posturas assim fazem com que, se o teólogo
francês estivesse vivo, parafrasearia um filósofo alemão com a seguinte
assertiva: quanto a isso, posso afirmar: não sou calvinista.
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