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AVIÕES NEGREIROS

 

O poeta Castro Alves relatou em seu famoso poema intitulado O Navio Negreiro, as atrocidades praticadas com os africanos que eram retirados do seu solo pátrio, passando a viver como escravos em terras brasileiras. Documentos históricos apontam a predominância da barbárie que era praticada e referendada pela elite predominante.

     Durante o século XIX, o filósofo Kant teorizou a necessidade de uma federação entre os Estados, onde os interesses seriam partilhados internacionalmente, alcançando a paz. As ideias apresentadas por ele serviram de base para o surgimento da ONU, pois o quadro mundial do pós-segunda guerra, era algo desolador. Receosos do ressurgimento das práticas horrendas, o clamor internacional ganhou predominância no mundo e o discurso pacificador se proliferou.

     A criação da ONU e consequentemente a Declaração Universal dos Direitos Humanos, reacendeu a esperança da possibilidade de um mundo voltado para a paz. Infelizmente, não tem sido assim. O desrespeito aos direitos da pessoa humana  ganha muitos adeptos e o que era algo antes feito de forma velada, agora assistimos de maneira explícita. Para tanto, basta observarmos as medidas adotadas pelo governo dos USA para com os imigrantes ilegais. O tratamento dispensado  com os mesmos, extrapola ao que se pode pensar na capacidade que uma mente pusilânime pode criar e praticar com seu semelhante. Ressaltando, que não é a primeira vez, que tais medidas são adotadas oriundas da terra do Tio Sam. Na verdade, a mudança se deu na maneira mais tenaz da aplicação, onde os deportados foram colocados em aeronaves sem levar em consideração as condições humanitárias.

 

P.S. Apenas uma pergunta: o que fez a Prefeitura da Cidade de Olinda com relação à Lei n° 12.286/2010?

 

Hely Ferreira é cientista político.

 

 

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