O relato encontrado no livro do Gênesis
apresenta Abrão (Depois passou ser chamado de Abraão), um homem residente na
terra de Ur, que atendendo ao chamado divino, deixou sua terra e saiu como um
errante, acreditando na terra prometida. Anos mais tarde, por intermédio de um
dos seus descentes, surge a nação de Israel. Fruto da promessa em que haveria
de nascer o Messias, segundo o cristianismo, o mesmo já veio e habitou entre
nós, nascendo na cidade de Belém. Com o passar dos séculos, a região ganhou notoriedade,
tanto é, que nos dias atuais existem pessoas que saem de vários países com o
desejo de visitar locais em que Jesus andou. Por isso, passou a ser chamada de
Terra Santa.
Sendo o campo escatológico muito forte
para os teólogos, existem correntes interpretativas com relação ao que se chama
de arrebatamento. Certamente, vem daí a grande celeuma no que tange ao papel de
Israel em dias atuais. Pré-milenismo, Pós-milenismo, Dispensacionalismo e
Amilenismo, divergem com relação aos fatos escatológicos. No Brasil, a primeira
corrente mencionada é a mais aceita, muito por conta da influência do
pentecostalismo histórico, tendo como fonte principal J.N. Darby. Segundo ele,
a nação de Israel deve ser entendida como um povo especial, pois foi lá que
nasceu Jesus e que por conta disso, será tratada de maneira especial na volta
de Jesus. Entretanto, o Amilenismo diverge, pois acredita que a atual nação de
Israel não pode ser aplicada em sua totalidade a narrativa do livro de Apocalipse.
Na verdade, os cristãos é o novo Israel de Deus.
O quadro atual do Estado de Israel é
bastante nebuloso. Reconduzido mais uma vez ao cargo de primeiro-ministro, o premier
Benjamin Natanyahu, patrocina uma polêmica reforma judicial, onde a mesma
enfraquece a autoridade da Suprema Corte e ao mesmo tempo concede mais poder
aos políticos. A proposta promoveu uma onda de protestos, onde várias pessoas
foram às ruas, externando insatisfação. Porém, os conflitos que ocorrem em
Israel, em alguns momentos são interpretados pelo viés teológico e não
político, fazendo com que o entendimento fique atrelado as correntes
interpretativas da escatologia, desconsiderando problemáticas sociais.
Olinda, 05 de agosto de
2023.
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é cientista
político.
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