Não é de hoje que o Brasil é visto como um
país rico, mas perverso para com o seu povo. Acredita-se que as atitudes
adotadas por parte dos governantes, visam muito mais um projeto de poder do que
um projeto de nação. Para tanto, basta apenas observar os caminhos percorridos
ao longo da nossa história, em que as benesses do poder público encontram-se
voltadas aos amigos do rei e aos demais as migalhas que caem da mesa palaciana.
Acontece que em ano eleitoral, muita coisa muda. Entre as mudanças, é nítida a
presença da chamada classe política nos grotões do país. Algo que infelizmente,
não é corriqueiro entre os chamados representantes do povo.
Sabendo de que os candidatos aparecem
geralmente para pedir voto, o eleitor em contrapartida, procura obter vantagem
na vigência do calendário eleitoral. Durante o hiato causado entre uma eleição
e outra, o cidadão vive praticamente abandonado. Momento em que nem mesmo o
assistencialismo é praticado. Mas em ano de eleição, o eleitor é visto com “importância”,
as portas estão sempre abertas para recebe-lo e o dinheiro público aparece. Não
precisa fazer nenhum esforço para entender que o derrame de emendas
parlamentares se tornam constantes e as inaugurações se tornam crescentes.
Entretanto, ao término do pleito, os representantes desaparecem e juntamente
com eles os recursos públicos também. Sendo assim, o sofrimento dos cidadãos
por conta da relação de dependência com o poder público, parece não ter fim.
Olinda, 02 de julho de
2022.
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é cientista
político.
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