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RANÇO HISTÓRICO

 

     Em uma eleição onde muitos acreditavam ser impossível o Partido da Frente Liberal não continuar administrando o Recife, o Partido dos Trabalhadores foi o vitorioso. Aquele resultado, fez o prefeito à época João Paulo ser reeleito e indiretamente contribuir para o retorno da Frente Populista ao Palácio do Campo das Princesas. Acontece que, a forma como foi conduzida o quadro sucessório do prefeito petista, algumas tendências do partido, olharam de maneira atravessada.

     Depois de muita briga interna, algo normal no PT, rifou o prefeito e apresentou outro nome, acreditando que seria vitorioso. Mas, o Partido Socialista Brasileiro, rompeu com o PT e apresentou candidatura própria e exitosa. A partir dali as rusgas entre os dois partidos foram se tornando intensas, embora o líder mor do PSB com sua capacidade de articulação, conseguia manter certa cordialidade entre as partes, unindo-se ao PT nas eleições de 2010.  O falecimento repentino do ex-governador Eduardo Campos deixou o PSB órfão. Até hoje, o partido não consegue emplacar alguém com capacidade em unir e conduzir à frente.

     O Impeachment aplicado ao governo de Dilma Rousseff com a benção do PSB e a disputa acirrada à prefeitura da cidade do Recife, onde o atual prefeito destilou ferrenhos ataques ao Partido dos Trabalhadores, muitos petistas históricos não engoliram, daí, não aceitarem o processo de reaproximação entre os dois partidos. Pelos fatos ocorridos recentemente, parece que nem mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu conter a fúria dos insatisfeitos. Talvez, os principais desafios para alavancar o candidato da aliança, sejam esquecerem da candidata que até o momento lidera todas as pesquisas de intensão do voto, pois não é por caso que a pré-candidata ao senado quase menciona por completo o seu nome. Da mesma forma o presidente estadual do PT e incutir na mente da militância que para chegar ao poder estão dispostos, pelo menos temporariamente, superar os ranços históricos.

 

Olinda, 22 de julho de 2022.

Sem ódio e sem medo.

Hely Ferreira é cientista político.

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