Pular para o conteúdo principal

POLÍTICA PARA IDIOTAS

 

 

 

“Quem quiser falar hoje de política começa inevitavelmente por enumerar todos os preconceitos que existem contra ela”. (Hannah Arendt)

 

     Na antiga Grécia, era chamado de idiotés quem não procurava participar da agenda pública. Priorizando interesses da esfera privada. Tal postura, era repudiada por Péricles. Se ele vivesse em Pindorama, certamente iria corroborar com o pensamento de Sérgio Buarque com relação a predominância da falta de espírito público por aqui. O fato é que não rara    às vezes, as palavras ao longo dos anos passam por processo de mudança e consequentemente de sentido. Seguindo esse pensamento, Daniel Innerarity apresenta alguns tipos de idiotice na política. Para ele, existem os que desejam destruir a política. São os que geralmente possuem o controle da informação e da economia. Por razões óbvias não querem que nada funcione bem. Inspiram-se nas atitudes do coronel Ramiro Bastos narrado pelo escritor Jorge Amado. Um outro tipo de idiota, são os que se comportam indiferentes com relação à política. É bem verdade, que as pessoas não são obrigadas participarem ativamente da vida pública.

     Não é raro encontrarmos aproximação entre os que são desinteressados pela política e os que sonham com o poder, mas rejeitam os trâmites da mesma. Apresentando-se como alguém que refuta a política, mas chega ao poder justamente por assim se comportar. O fato só ocorre, por existir aqueles que são seduzidos pelo “discurso antipolítico”.

     Enfim, há uma outra categoria de idiota. Embora seja menos visível, se faz presente no cotidiano da vida pública. São os que estão interessados pelas questões políticas, mas não se comportam como o cidadão na pólis. Preferem apenas observar tudo ao seu redor. Afinal de contas, advogam que política não é para todos, mas para os que conseguem viver dela, buscando sempre levar vantagem.

 

Olinda, 24 de março de 2022.

Hely Ferreira é cientista político.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ENCONTRO DE MEGALOMANÍACOS

       Em um mundo cada vez mais globalizado, as relações internacionais se tornaram extremamente necessárias para o bom andamento entre as nações. Buscar o isolamento poderá causar sérias consequências para o bom andamento econômico. A postura adotada com relação às questões econômicas, pelo presidente da considerada maior potência mundial, acendrou a repulsa de outros governantes. Afinal, no mundo da política, geralmente, o que prevalece é o pragmatismo.      O modelo de economia hegemônica, adotado pelo presidente da terra do Tio Sam, sofre dificuldade de se manter de pé. Afinal, o mundo mudou e consequentemente os padrões de negociações internacionais também estão passando pelo processo de mudanças. Uma agenda imperialista aos moldes atuais é difícil sobreviver.      Enfim, a expectativa que fora criada com relação à participação do governo brasileiro e o governo dos Estados Unidos na recente Assembleia da ONU, pel...

SINAL COLORIDO

       Depois de mais uma rodada de pesquisa divulgada com relação ao desempenho da popularidade do governo federal, percebe-se que existe claramente, uma queda vertiginosa de aceitação perante a opinião pública. Na verdade, o quadro atual, serve para acender todas as luzes do semáforo, se é que ainda se tem alguma possibilidade.       Talvez, um dos maiores adversários do governo seja o tempo. Pois, parece que cada vez em que tenta se reerguer, um novo problema aparece, e consequentemente, sobrepujando qualquer possibilidade de recuperação da popularidade. Entre os dados apresentados na mais nova pesquisa, o declínio da popularidade do governo entre os que professam o catolicismo romano, justamente no momento em que se tentava descobrir uma forma de aproximar-se com os pentecostais e neopentecostais, provavelmente, ampliou o grau de preocupação.      Havia certa apologia de que a fraca popularidade do governo est...

EM OLINDA, TUDO DO MESMO JEITO

         Durante o período das eleições municipais do ano passado (2024), tive o privilégio de participar das sabatinas promovidas pela Rádio Folha FM, com os candidatos ao cargo de prefeito, de várias cidades, dentre as quais, da cidade de Olinda. Em um dado momento, questionei,   à época, da   candidata e, atualmente prefeita se ela mesma abriria diálogo com entidades que se preocupam com patrimônio histórico local.   Na oportunidade, ouvi da candidata que o diálogo seria mantido. Confesso que fiquei estupefato, vez que, até aquele momento, em especial o Instituto Histórico de Olinda havia requerido audiência com o chefe do poder executivo municipal, mas sem ter até aquele momento, nenhuma resposta. De imediato, a candidata se mostrou solícita em querer resolver o problema, tanto é que, na disputa do segundo turno das eleições, ela fez questão de mencionar durante o programa de rádio que havia procurado saber do caso. Entretanto, a resp...