Em 1998, fui
apresentado ao então deputado federal Eduardo Campos. Recordo-me que o deixei
bastante emocionado ao afirmar que o livro de autoria do seu pai (Maximiniano
Campos) A Memória Revoltada, o tinha (ainda tenho), como um dos melhores que já
li. Daí em diante, sempre que encontrava-mos, nosso diálogo sempre girava
em torno da política e do Clube Náutico Capibaribe.
Quatro anos depois,
Eduardo resolveu candidatar-se ao cargo de governador de Pernambuco, algo
ousado para época, pois, até então, a maioria das pessoas, acreditavam que a disputa
ficaria polarizada entre o candidato da coligação União por Pernambuco, Sr.
Mendonça Filho que durante aquele período governava o Estado e o Sr. Humberto
Costa candidato do Partido dos Trabalhadores. De início, as pesquisas apontavam
Campos em terceiro lugar, mas como era obstinado naquilo que fazia, juntou
forças e conseguiu superar na reta final o candidato petista, indo para o
segundo turno com o representante do Partido da Frente Liberal. A primeira
pesquisa divulgada apontou o candidato socialista em primeiro lugar e assim
continuou o cenário até o dia do pleito em que foi vitorioso.
Aos poucos,
Eduardo foi ganhando a simpatia, popularidade e credibilidade do povo
pernambucano, implantando projetos audaciosos, visando combater problemas que
eram considerados o calcanhar de Aquiles do Estado. Entre eles podemos destacar
os altos índices de homicídios. Firmou-se como uma nova liderança não apenas em
Pernambuco, mas na região Nordeste. Herdeiro direto do espólio político do avô
Miguel Arraes, Campos passou a trilhar caminhos para voos mais altaneiros.
Aliado do ex-presidente Lula, surpreendentemente, em 2012, apresentou um
candidato à Prefeitura da Cidade do Recife, obtendo sucesso logo no primeiro
turno e ao mesmo tempo já demonstrava certo distanciamento em relação ao PT.
O desejo de se lançar
candidato à presidência da República foi rotulado de haver traído Lula, embora
sempre dissesse que seu problema era com o governo de Dilma. Mesmo assim, o
ex-presidente em uma reunião com empresários, insinuou que o ex-governador de
Pernambuco tinha semelhanças com o ex-presidente Fernando Collor. Não devemos
pensar que tudo foi maravilhoso durante os dois mandatos de Eduardo à frente do
Palácio do Campo das Princesas. Greve de algumas categorias, obras de
mobilidades que não foram concluídas antes da Copa do Mundo, a forma
centralizadora que muitas vezes adotava, fazia parte da sua agenda. O que não
estava nela, era a catástrofe que ocorreu nove anos depois do falecimento
daquele que lhe deixou um legado.
A morte de Eduardo
Campos deixa Pernambuco órfão e carente de uma liderança já que ele conseguiu
devolver a alcunha de Leão do Norte e um líder não nasce da noite para o dia.
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