O declínio do período dos mitos fez
ascender o período do logos e, assim, aos poucos, a predominância passou a ser
da razão, trazendo consigo um antropocentrismo acendrado. Não foi por acaso,
que, a partir daí, os sofistas viveram seus momentos de apogeu ao perceberem
que o sucesso na Pólis era inerente à capacidade de argumentar e, consequentemente,
persuadir a plateia. Um bom argumentador, certamente, teria êxito nas
assembleias realizadas nas praças.
Em dias atuais, embora seja percebida, de
maneira cristalina a ausência de bons oradores, mas assim como os sofistas que
não tinham preocupação com a verdade, mas apenas com o sucesso, na atualidade,
no que não falta, são os vendedores de ilusão. Amparados nas pesquisas qualitativas,
se apresentam com uma tipologia messiânica, mas, na verdade, emitem sons que
provocam consequências semelhantes aos que escutavam o cantarolar das
sereias. Como indagação, pensemos os
motivos que levam em ano eleitoral, a haver ter tantas obras entregues à
população? Mera coincidência? Devemos acreditar que não, afinal, muitas são as
demandas e “coincidentemente”, são concluídas em ano eleitoral.
Quem tem ouvidos ouça, assim falava
Zaratustra.
Olinda, 18 de abril de 2026.
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é cientista político.
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