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O MODO PETISTA DE APOIAR

 

O ano era 1988, quando Gilberto Vasconcellos em seu livro “Collor: a cocaína dos pobres: a nova cara da direita.”, alertara que Leonel Brizola era muito mais competitivo que Lula, mas o PT não aceitaria ser vice do político gaúcho e, assim, Fernando Collor, certamente, seria eleito, pois o candidato petista era um candidato mais fácil de ser derrotado em eventual segundo turno.

     Ao longo dos anos, o PT foi demonstrando que sua prioridade e, quase que exclusividade, é ser o protagonista e nunca coadjuvante. Para tanto, basta apenas observarmos as composições construídas pelo partido da estrela, onde guardada as devidas proporções, sempre se posiciona como cabeça de chapa. Na mesma linha de atuação, geralmente, quando se fala em apoio, o Partido dos Trabalhadores é ótimo para recebê-lo, mas é difícil para apoiar. Será o motivo de alguns não concordarem com o nome apresentado para disputar o governo de Pernambuco pela  Frente Popular? Ou será que a insatisfação se encontra ligada a projetos pessoais?

     Depois de muita espera, em assembleia, 86% do PT pernambucano, decidiu apoiar a pré-candidatura do ex-prefeito da cidade do Recife ao Palácio do Campo das Princesas. Acontece que, mesmo depois de declarar o apoio, há os que não concordam com a decisão tomada pela maioria. Agora, muito se esbraveja que a vontade da maioria deve ser respeitada, o que parece é, ela mesma contrariar interesses pessoais, todo o arrobo oratório ideológico deve ser escanteado e o que deve prevalecer são os projetos pessoais e, consequentemente, as benesses atuais do poder. Afinal de contas, nem sempre as pessoas estão dispostas a deixar o certo pelo duvidoso. Que nos diga o mestre Arístocles.

 

Olinda, 02 de abril de 2026.

Sem ódio e sem medo.

Hely Ferreira é cientista político.

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