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CRISTOFOBIA MUSICAL

 

Antes mesmo da  primeira Constituição Republicana brasileira entrar em vigor, institui-se no Brasil a separação entre Igreja e Estado, em clara demonstração que com os ares da República, não mais existiria religião oficial, mas uma abertura e respeito para com todas as crenças. Com efeito, era assim que pensavam os republicanos por aqui. Assim, procuraram extirpar o que entenderam ser empecilho para o desenvolvimento de um país republicano.

     No ano de 2025, a cantora Claudia Leitte, que embora muitos pensem que seja baiana, mas nasceu na cidade de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, foi denunciada pelo (MP – BA) alegando que ela praticou intolerância religiosa e racismo por ter substituído a letra da canção “Caranguejo” na parte em que se canta “Iemanjá” por “rei Yeshua” (Jesus). A substituição ocorreu em alguns shows. O fato ensejou e acalorou um debate público sobre o tema liberdade de expressão, e o respeito à fé das pessoas. Salvo melhor juízo, não consigo enxergar ataque, incitação, menosprezo na atitude da artista. Paira a seguinte dúvida: caso tivesse sido ao contrário, será que haveria a mesma avidez para punir a artista? Será que o problema ocorre pelo fato da troca ter sido pelo nome de Jesus?

     Infelizmente, muitos esquecem ou se comportam como se tivessem esquecidos, que a laicidade do Estado, se confunde com a liberdade das pessoas expressarem suas crenças. Estado laico não é sinônimo de ateísmo e, muito menos de protecionismo a qualquer religião, mas garantir que se tenha liberdade de professar sua fé, sem que venha correr o risco de se sentir sufocado, por quem se diz defensor da liberdade, mas só quando garante a predominância dos seus ideais.

 

 Hely Ferreira é filósofo e cientista político.

 

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