No livro Entre a Ciência e a Sapiência: o
dilema da educação, o professor Rubem Alves diz o seguinte: “Os ministérios administrativos cuidam do
hardware do país. Eles lidam com a musculatura nacional. O ministério da
educação tem a seu cuidado o software do país. Ele cuida da inteligência
nacional. Seu objetivo é fazer o povo pensar. Porque um país – ao contrário do que me ensinaram na escola – não se
faz com as coisas físicas que se encontram em seu território, mas com os
pensamentos de seu povo”.
Acontece que historicamente em Pindorama, majoritariamente quando se fala em
reforma educacional, tem sempre como pano de fundo, sufocar as disciplinas
ligadas ao campo das Ciências Humanas. Será que é apenas mera coincidência?
Um dos recentes ataques ao campo das
humanidades foi realizado no Estado de São Paulo onde ocorreu a redução entre
35% da carga horária de Ciências Humanas nos últimos cinco anos, representando
253 horas a menos. Coincidentemente, as disciplinas mais atingidas foram Filosofia
e Sociologia, com redução de 62,9% na carga horária. Logo em seguida, Geografia
que diminuiu em 25,9%. Lembrando que História conseguiu se safar, obtendo
aumento de 11,1%. Acontece que em uma linha parecida, segundo os meios de
comunicação, o Estado de Pernambuco foi denunciado ao MPPE. Alguns professores
nomeados recentemente estavam sendo designados para ensinar disciplinas
antagônicas as suas especialidades. Pasmem, a área das Ciências Humanas são as
mais atingidas. Será que existe algo deliberado? Fatos assim ocorreram em
outros momentos na história da educação brasileira, portanto, o filme não é
novo, apenas colocado novamente em cartaz.
Olinda, 22 de fevereiro
de 2025.
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é cientista
político.
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