Pular para o conteúdo principal

NO MUNDO DAS SOMBRAS

 

Quando jovem, o filósofo Platão, nutria o desejo de participar ativamente da política ateniense, mas a forma como se deu a condenação e morte de Sócrates fez com que repensasse seu projeto político. Não que tenha resolvido abandonar seus ideais, mas repensou o modelo de sua participação na vida pública.

     Considerado um dos maiores escritores de todos os tempos, Arístocles (nome verdadeiro de Platão), deixou sua marca literária com um estilo próprio, onde os diálogos e as alegorias se fizeram presentes em sua pena. Entre tantos escritos, sua obra A República, certamente é a mais popular. Nela encontramos o famoso mito da caverna, uma “história” contada e recheada de lições. Ao apresentar uma sociedade que estava além da que existia dentro da caverna, o mestre ateniense alertou para os perigos quando alguém passa a enxergar de maneira opaca tudo àquilo que se encontra ao seu redor. Ao mesmo tempo, Platão nos ensina que romper com um mundo que nos é oferecido como se fosse o único e verdadeiro, requer muita coragem e determinação para se livrar dele. Infelizmente, muitos preferem permanecer no estágio da caverna, sem nenhuma perspectiva de mudança e assim, o estado de mesmice é mais cômodo e a predominância da alienação se torna perceptível.

     O quadro atual reverbera o mundo das sombras. Os que conseguem enxergar são coagidos a continuarem na caverna. Mas como continuar se descobriram que existe outra forma de vislumbrar o mundo?

 

Olinda, 11 de janeiro de 2025.

Sem ódio e sem medo.

Hely Ferreira é cientista político.

    

       

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ENCONTRO DE MEGALOMANÍACOS

       Em um mundo cada vez mais globalizado, as relações internacionais se tornaram extremamente necessárias para o bom andamento entre as nações. Buscar o isolamento poderá causar sérias consequências para o bom andamento econômico. A postura adotada com relação às questões econômicas, pelo presidente da considerada maior potência mundial, acendrou a repulsa de outros governantes. Afinal, no mundo da política, geralmente, o que prevalece é o pragmatismo.      O modelo de economia hegemônica, adotado pelo presidente da terra do Tio Sam, sofre dificuldade de se manter de pé. Afinal, o mundo mudou e consequentemente os padrões de negociações internacionais também estão passando pelo processo de mudanças. Uma agenda imperialista aos moldes atuais é difícil sobreviver.      Enfim, a expectativa que fora criada com relação à participação do governo brasileiro e o governo dos Estados Unidos na recente Assembleia da ONU, pel...

SINAL COLORIDO

       Depois de mais uma rodada de pesquisa divulgada com relação ao desempenho da popularidade do governo federal, percebe-se que existe claramente, uma queda vertiginosa de aceitação perante a opinião pública. Na verdade, o quadro atual, serve para acender todas as luzes do semáforo, se é que ainda se tem alguma possibilidade.       Talvez, um dos maiores adversários do governo seja o tempo. Pois, parece que cada vez em que tenta se reerguer, um novo problema aparece, e consequentemente, sobrepujando qualquer possibilidade de recuperação da popularidade. Entre os dados apresentados na mais nova pesquisa, o declínio da popularidade do governo entre os que professam o catolicismo romano, justamente no momento em que se tentava descobrir uma forma de aproximar-se com os pentecostais e neopentecostais, provavelmente, ampliou o grau de preocupação.      Havia certa apologia de que a fraca popularidade do governo est...

EM OLINDA, TUDO DO MESMO JEITO

         Durante o período das eleições municipais do ano passado (2024), tive o privilégio de participar das sabatinas promovidas pela Rádio Folha FM, com os candidatos ao cargo de prefeito, de várias cidades, dentre as quais, da cidade de Olinda. Em um dado momento, questionei,   à época, da   candidata e, atualmente prefeita se ela mesma abriria diálogo com entidades que se preocupam com patrimônio histórico local.   Na oportunidade, ouvi da candidata que o diálogo seria mantido. Confesso que fiquei estupefato, vez que, até aquele momento, em especial o Instituto Histórico de Olinda havia requerido audiência com o chefe do poder executivo municipal, mas sem ter até aquele momento, nenhuma resposta. De imediato, a candidata se mostrou solícita em querer resolver o problema, tanto é que, na disputa do segundo turno das eleições, ela fez questão de mencionar durante o programa de rádio que havia procurado saber do caso. Entretanto, a resp...