Quando jovem, o filósofo
Platão, nutria o desejo de participar ativamente da política ateniense, mas a
forma como se deu a condenação e morte de Sócrates fez com que repensasse seu projeto
político. Não que tenha resolvido abandonar seus ideais, mas repensou o modelo
de sua participação na vida pública.
Considerado um dos maiores escritores de
todos os tempos, Arístocles (nome verdadeiro de Platão), deixou sua marca
literária com um estilo próprio, onde os diálogos e as alegorias se fizeram
presentes em sua pena. Entre tantos escritos, sua obra A República, certamente
é a mais popular. Nela encontramos o famoso mito da caverna, uma “história”
contada e recheada de lições. Ao apresentar uma sociedade que estava além da que
existia dentro da caverna, o mestre ateniense alertou para os perigos quando
alguém passa a enxergar de maneira opaca tudo àquilo que se encontra ao seu
redor. Ao mesmo tempo, Platão nos ensina que romper com um mundo que nos é
oferecido como se fosse o único e verdadeiro, requer muita coragem e
determinação para se livrar dele. Infelizmente, muitos preferem permanecer no
estágio da caverna, sem nenhuma perspectiva de mudança e assim, o estado de
mesmice é mais cômodo e a predominância da alienação se torna perceptível.
O quadro atual reverbera o mundo das
sombras. Os que conseguem enxergar são coagidos a continuarem na caverna. Mas
como continuar se descobriram que existe outra forma de vislumbrar o mundo?
Olinda, 11 de janeiro
de 2025.
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é
cientista político.
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