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PARTIDOS REGIONAIS

 

Fruto da independência de Portugal em 1822, o Brasil passou a ser uma monarquia constitucional até o ano de 1889. Olhando pelo retrovisor da história, percebe-se que o sistema partidário viveu sua consolidação durante o Segundo Reinado, estabelecendo um bipartidarismo, alternando-se no poder através de um Partido Conservador e um Partido Liberal. Organizado em 1870, o Partido Republicano deu início aos arrazoados contrários a monarquia.

     Durante o período chamado de Primeira República, os clubes republicanos estaduais foram transformados em Partidos Republicanos. Daí em diante, o PRP de São Paulo e o PRM de Minas Gerais dominaram e se alternaram na Presidência da República além de controlarem o andamento do Congresso Nacional, sendo alcunhado aquele período de “Café com Leite”. Ao final da década de 1920, o modelo demonstrou ineficiência, sofrendo extirpação com a “Revolução” de 1930. Os 15 anos seguintes, o sistema partidário brasileiro permaneceu agrupado nos estados com algumas tentativas de movimentos em caráter nacional, procurando alimentar uma polarização entre direita e esquerda aos moldes Europeu dos anos 30.

     Embora atualmente o sistema partidário brasileiro não mais permite a regionalização de algum partido político, na prática assiste-se o ressurgimento do regionalismo partidário. Para tanto, observemos dois fatos recentes. O primeiro deles aconteceu no Estado do Ceará, onde o PT demonstrou força nas urnas. Além de eleger o prefeito da capital cearense, a cidade interiorana de Ipaporanga, elegeu o prefeito juntamente com o vice e todos os membros do Poder Legislativo Municipal. Concluindo que praticamente não existe oposição. Outro exemplo é o que aconteceu com o PSDB em Pernambuco. Embora o partido não tenha saído robusto nas urnas em âmbito nacional, seu desempenho no Leão do Norte merece ser olhado de maneira acendrada. Não foi debalde que conseguiu eleger o maior número de prefeitos, em uma clara demonstração da pujança palaciana. Ao mesmo tempo tirando um pouco do estigma que o partido sempre carregou ter uma marca exclusivamente paulista.

 

Sem ódio e sem medo.

Hely Ferreira é cientista político.

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