No período da formação do Brasil, o
Catolicismo Romano era a religião oficial. Ao ponto que as cessões eleitorais
funcionavam nos templos em clara demonstração da relação direta entre as
questões políticas e as questões religiosas. A separação entre Igreja e Estado
veio acontecer quando da chegada da República. Agora não mais havia religião
oficial. Em nenhum momento significava dizer que as influências do romanismo
haviam sido extirpadas da sociedade brasileira. Pelo contrário, a religiosidade
do povo brasileiro é algo perceptível às práticas da religião oriunda de Roma
permanecem vivas entre grande parte da população.
Majoritariamente, as cidades brasileiras
possuem um (a) padroeiro (a) em que durante o período das efemérides torna-se
explícito a relação quase que inerente entre o profano e o sagrado e não rara às
vezes trazendo consigo o legado tão bem contado na obra de Dias Gomes
intitulada O Pagador de Promessa. Como a relação entre política e religião
continua forte entre o povo brasileiro, em uma festa como a do Morro da
Conceição não é difícil encontrarmos lideranças políticas transitando pelo
local. Sabem que raramente conseguirão algum eleitor pelo fato de comparecer a
festividade. Porém, a ausência poderá produzir efeito negativo. É bem verdade
que existem verdadeiros devotos, mas há também os que estão preocupados apenas
com a visibilidade e em uma festa tão popular e que meche com a subjetividade
das pessoas, a maioria não quer ficar de fora e se possível carregando a
charola.
Hely Ferreira é cientista
político.
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