O campeonato de futebol
inglês durante muito tempo foi estigmatizado pela quantidade de arruaças
oriundas de alguns “torcedores” dentro e fora dos estádios. Os chamados
hooligans, plantavam o terror em dias de jogos. A gota d’água foi a morte de 39
torcedores em uma partida entre Juventus e o Liverpool. Partida realizada no ano
de 1985, na Bélgica. A partir daí, se resolveu tomar medidas exequíveis para
tolher a predominância da barbárie em jogos com times ingleses. Embora tenha
sido algo draconiano, no que tange as sanções aplicadas, surtiu o efeito
desejado. Salientando que não se limitou exclusivamente ao impedimento daqueles
torcedores aos estádios de futebol. Mas com certeza não utilizaram torcida
única.
Infelizmente, aqui no Brasil ocorre de
maneira assustadora, o crescimento de práticas nefastas por intermédio das
chamadas “torcidas organizadas” em dias de partidas de futebol. Cada vez em que
elas praticam condutas delituosas, percebe-se a incapacidade do poder
preventivo e coercitivo do Estado. O caso mais recente e que se tornou manchete
internacional, foi o ataque ao ônibus que transportava a delegação do clube do
Fortaleza, depois da partida contra o Sport Club do Recife. Até o momento o que
se sabe é que seis atletas saíram feridos. E pasmem, mais uma vez, ninguém foi
detido. Quem acompanhou as notícias do ocorrido, certamente se deparou com um
vídeo em que uma filha pequena de um dos atletas do Fortaleza, estava no
aeroporto juntamente com sua genitora, esperando o retorno do seu pai.
Inocentemente, quando viu o estado dele, fez a seguinte pergunta: Papai, você
se machucou no trabalho? Cremos que o desejo dos verdadeiros torcedores,
aqueles que vivem praticamente enclausurados em suas casas, receosos dos facínoras
é que encontrem os verdadeiros responsáveis pelas atrocidades contra a
delegação do Fortaleza e não no açodamento apresentar “bodes expiatórios”.
Olinda, 24 de fevereiro de 2024.
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é cientista
político.
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