Não é de hoje que quem deseja entender o
fenômeno da política nacional acaba em um pântano e aqui em Pernambuco o
desafio parece ser maior. Nunca foi velado o desejo da deputada Marília Arraes
em disputar o governo de Pernambuco. Acontece que em outro momento, teve o seu
nome rifado para satisfazer o projeto do senador paulista. Embora, para os que
acreditam em projeto nacional, era o discurso propagado. Mas depois de perceber
que mais uma vez seria preterida dentro do partido, a deputada resolveu
filiar-se ao Solidariedade e assim garantindo o seu nome na disputa ao Palácio
do Campo das Princesas. Postas à mesa as candidaturas ao governo estadual,
viu-se o PT mais uma vez subordinado ao controle da segunda ave liberta por
Noé.
Fruto da composição nacional, o líder
maior do PT nacional, se viu encurralado em ter que subir no palanque que não
era dos seus sonhos, mas para honrar o que havia sido acordado para composição
da chapa local. Receoso de acontecer o que ocorreu em 2006, quando teve que
dividir a presença de Lula em dois palanques, o PT deixou claro que não abriria
mão da vaga do senado, garantindo exclusividade da presença do candidato à
Presidência da República. Acreditando que conseguiria tolher o avanço da Frente
Pernambuco na Velha.
Depois de 16 anos, a Frente Populista não
conseguiu lograr êxito nas urnas e se viu forçada em compor com a deputada
Marília Arraes. Fazendo parte da mesma frente, também não restou outra saída
aos líderes do PT local, vez que, parte do partido já havia “marilhado”, desde
o primeiro turno. Ou foi por acaso que o partido expulsou alguns quadros? E por
falar em expulsão, não foi apenas o PT que adotou medidas draconianas para com
alguns filiados. Acontece que, agora no segundo turno, nem todos estão seguindo
a orientação dos partidos. Sofrerão o mesmo tipo de penalidade, ou o apoio no
segundo turno é apenas para não sofrerem de isolamento?
Olinda, 17 de outubro de 2022.
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é cientista político.
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