O termo cultura
basicamente possui dois significados. Um deles se aplica a formação do homem. O
outro é aplicado com relação ao modo de se viver e pensar, aquilo que chamamos
de civilização. Com relação ao tema, disse Hegel que “um povo faz progressos em si, tem seu desenvolvimento e seu
crepúsculo. O que se encontra aqui, sobretudo, é a categoria da cultura, de sua
exageração e sua degeneração: para um povo, esta última é produto ou fonte de
ruína”.
Durante o ápice da pandemia causada pela
Covid-19, pessoas famosas do mundo artístico também foram atingidas e muitas
delas se tornaram vítimas fatais. Entre elas, o imparagonável Aldir Blanc. O
falecimento do compositor carioca, levou a aprovação de uma Lei que leva o seu
nome. A mesma tem como finalidade, diminuir o impacto negativo na vida dos que
desenvolvem atividades ligadas ao mundo da cultura. Depois de muita peleja, à
lei foi sancionada pelo poder executivo. Embora estejamos vivendo uma fase
menos crítica da pandemia, muitas das atividades ainda não estão sendo
exercidas de forma plena e no meio cultural não tem sido diferente, ao ponto
que o Congresso Nacional entendeu que seria necessário aprovar a Lei Aldir
Blanc 2. Com efeito, a mesma gerou no meio cultural o sonho de que a decisão do
poder legislativo, seria suficiente para demonstrar que há harmonia entre os
poderes, embora não é o que se tem assistido no momento. Lamentavelmente, o que
tem prevalecido em grande parte das decisões são resquícios de vaidade.
Infelizmente, o governo optou pelo veto da lei, demonstrando que o mesmo se deu
por causa de sua indisposição com o meio artístico. Na verdade, o problema é
que qualquer opinião divergente vira animosidade, demonstrando que nem ele e
parte dos seus asseclas, não sabem conviver com o contraditório. Achando pouco da
decisão tomada, embora o veto tenha sido publicado no dia 05 de maio do
corrente ano, a mesma foi decidida no dia anterior, ou seja, na data em que
completara dois anos que o poeta Aldir Blanc faleceu.
Olinda, 12 de maio de
2022.
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é cientista
político.
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