O fato recente que foi
veiculado pelos meios de comunicação em que um jovem natural do Congo foi
barbaramente espancado e morto em uma das praias do litoral do Rio de Janeiro,
vem provocando uma série de protestos, além de amplo debate, tentando encontrar
resposta para o comportamento cruel dos envolvidos no caso em tela.
Os chamados fatores exógenos, geralmente
ganham maior aceitação para explicar o ocorrido. Entretanto, não se deve
expurgar da análise os fatores endógenos. Ecoa-se pelos quatro cantos do mundo,
que a raça humana é dotada de razão. Sendo considerada a única com capacidade
de pensar. Se for verdade, então temos que admitir que a conduta delituosa dos
acusados, em nenhum momento foi algo impensado, pelo contrário, os mesmos
tinham plena consciência e o animus necandi
estava presente com toda pujança. Não foi debalde a afirmação de Nélson Hungria
de que o crime se faz presente no calcanhar do homem. Apesar de sermos dotados
de razão, destruímos nossa própria espécie por prazer e precisamos das leis
para vivermos em sociedade.
O advento da pandemia, fez de alguns mais
otimistas no que tange as relações sociais. Muitos acreditaram e ainda
acreditam que teremos uma sociedade mais justa em que o princípio da alteridade
será cristalino nas atitudes dos indivíduos. Se assim for, será possível acreditar
no ser humano e o desejo de paz perpétua, será vivenciado entre os povos.
Há quem acredite que o Brasil é um país
bom para se viver. A própria genitora da vítima externou em uma das entrevistas,
acreditar que por aqui seus filhos estariam seguros. Quanta ingenuidade, basta
apenas olharmos os relatos históricos. Por aqui, quem não pertencer as chamadas
famílias tradicionais, terá dificuldade de se inserir no meio social. Na
verdade, nunca rompemos com as oligarquias e quem tentar, certamente não
faltará pessoas que de alguma forma tentará demonizá-lo. Os donos poder, não
conseguem conviver com aqueles que não nasceram em berço de ouro. Aos pobres,
lhes são proporcionados o bueiro da história.
Olinda, 10 de fevereiro
de 2022.
Hely Ferreira é cientista
político.
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