Em seu nascedouro, a democracia
ateniense não tinha participação feminina. No Brasil, assim como em outros
países, o espaço feminino na vida pública tem sido fruto de muita luta. Vencer
o pré-conceito, ainda é um grande desafio. Particularmente em Pernambuco, ao
longo dos anos, as mulheres estão crescendo nas casas legislativas municipais.
Na Casa Joaquim Nabuco a primeira mulher que por ali passou foi à Senhora
Adalgisa Cavalcanti. No âmbito federal, coube a jornalista Cristina Tavares o
referido feito. Mas quando olhamos a história política pernambucana, percebemos
que, embora venha crescendo o número de mulheres na Assembleia Legislativa, não
se pode dizer o mesmo na Câmara Federal. Na atual legislatura, dos 25
deputados, a única mulher é a deputada Marília Arraes.
Oriunda de família tradicional da política
pernambucana, a deputada Marília Arraes, tem demonstrado que não precisa
exclusivamente do sobrenome para deslanchar como referência na política local.
Mas apesar de sua densidade eleitoral, desde que saiu do PSB e filiou-se ao PT,
a parlamentar encontra dificuldades em voar como um condor. Para voar de
maneira altaneira, tem encontrado impedimento dentro do próprio partido.
Em 2018, a deputada estava se preparando
para disputar o governo de Pernambuco, mas teve seu projeto sufocado pelo
comando local do partido, que buscava a permanência no palanque da frente
populista, acreditando que seria a única forma de garantir mais oito anos do
senador paulista. Cada eleição que se avizinha, percebe-se os entraves criados
para que a parlamentar não cresça na política local. Até mesmo sua candidatura
à prefeitura da cidade do Recife, em alguns momentos foi atrapalhada pelo fogo
amigo. Diante do histórico, há sempre rumores de uma possível saída da
parlamentar dos quadros petistas, mas sua aproximação com o ex-presidente Lula
faz com que se torne difícil de acontecer. Entretanto, a deputada deve ter
consciência que se realmente pretende algo mais audacioso, não pode ficar na
dependência do PT. Para tanto, deve levar em consideração seu cabedal
eleitoral.
Olinda, 24 de fevereiro
de 2022.
Hely Ferreira é cientista
político.
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