“A
mudança é a lei da vida. Aqueles que olham apenas para o passado ou para o
presente serão esquecidos no futuro” (John F. Kennedy).
Um dos principais desafios das grandes
cidades brasileiras é a questão da mobilidade. Boa parte delas, infelizmente,
não conseguem lograr êxito nas medidas implementadas. O crescimento desordenado
sem projeto urbanístico, tem demonstrado cristalinamente o quanto é desafiador
o embrolho, por mais boa vontade que tenha o administrador, ou para utilizar
uma palavra do modismo, o gestor.
Entre as cidades que sofrem com o trânsito
caótico, Recife encontra-se entre elas. O fator topográfico, principalmente em
dias de chuva torrenciais é algo desafiador. Com surgimento do cartão VEM, toda
propaganda era de que com ele além do barateamento do preço da passagem,
haveria facilidade no deslocamento da população. Lamentavelmente, não é o que
se percebe. Pelo contrário, tornou-se um verdadeiro caos e o sofrimento para
quem depende do transporte coletivo aumentou. Como não bastasse, linhas que
antes existiam, foram retiradas, fazendo do Recife uma cidade em que cresce a
população e as linhas dos transportes coletivos diminuem. Isso para não falar
nos BRTs que aos domingos não funcionam, causando maior dificuldade ao usuário.
Na verdade, o cartão VEM é um convite ao sofrimento da população. Cria-se
projetos de mobilidade urbana totalmente distante da realidade da cidade e
consequentemente de quem mais precisa. Entretanto, o Projeto de Lei enviado recentemente
à Câmara Municipal, visando instituir o plano de mobilidade da Veneza
brasileira, surge como uma esperança
Esperamos que o mesmo não se torne apenas mais
um, mas que realmente contemple as necessidades da população. Do contrário,
será apenas uma dessas propagandas importadas, que pelo um bom tempo tem ganho
espaço no cenário local.
Olinda, 24 de novembro de 2021.
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