Embora quase não se
fale, mas Pernambuco teve um governador interino oriundo dos quadros da
Assembleia de Deus. Para quem desconhece, ou não lembra, o nome dele era
Antonio Torres Galvão. O mesmo foi um dos fundadores da denominação na cidade
de Abreu e Lima e presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Fiação e
Tecelagem de Paulista. Esteve presente na fundação do antigo PSD em Pernambuco,
sendo eleito constituinte estadual no ano de 1947. Com o falecimento de
Agamenon Magalhães, Galvão assumiu o governo pelo período de quatro meses.
Entre os anos de 1946 – 1987, 50
evangélicos estiveram exercendo 108 mandatos no Congresso Nacional. Vale
salientar que, menos de 5% foram exercidos por pentecostais. A participação
ocorre a partir de 1950, por intermédio da Igreja O Brasil Para Cristo, cujo
fundador, Manoel de Mello apoiou Adhemar de Barros como candidato a prefeito de
São Paulo. Ao ser eleito, o prefeito agraciou seu correligionário com um
terreno, construindo um templo de alumínio, que depois foi derrubado por ordem
do próprio prefeito, aceitando pressões do clero paulista. Foi daí que Manoel
de Mello resolveu lançar um candidato a deputado federal pelo PSD, o
ex-metodista Levy Tavares. Em 1966, o mesmo foi reeleito pelo MDB, mas decidiu
migrar para a Arena. Duas décadas depois a postura adotada por Mello, vai ser
seguida pela IURD e Assembleia de Deus.
A omissão que fazia parte da postura
adotada pela vertente pentecostal mudou a partir de 1986, com o projeto de
influenciar na elaboração da nova Constituição. A época mobilizou-se a
Assembleia de Deus, Evangelho Quadrangular e IURD. Lembrando que a IURD, desde
o início compreendeu e absorveu a necessidade de eleger representantes.
Diferente da Assembleia a Igreja Universal do Reino de Deus não criou uma
cultura anti-política em seus membros. Em 1986, elegeu um deputado federal,
três em 1990, seis em 1994 e dezoito em 2002, além de uma grande quantidade de
deputados estaduais. Na verdade, a participação na política partidária estava
ligada aos interesses institucionais.
Em 2020, o número de candidatos
evangélicos aumentou em 34%, ou seja, 5 mil candidatos entre prefeitos e
vereadores. 26% o crescimento do seguimento religioso. 4.915 evangélicos;
11.059 ligados a algum segmento religioso. Em 2016 era 8,783. Assim estamos
assistindo cada vez mais o número de candidatos ligados a algum grupo religioso
e não apenas ao que são chamados de evangélicos.
P. S. O artigo é a
segunda parte do resumo da palestra proferida para IECVC no Estado do Rio de
Janeiro.
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