“Para
evitar os sofrimentos, não se deve nessa vida se envolver com a ilusão.”
(Carlos Dafé)
Relatos históricos apontam que o
pensamento aristotélico prevaleceu com relação às formas de governo. Na opinião
do pupilo de Platão existiam três formas: politéia, aristocracia e monarquia.
Mas a partir de Maquiavel isso passou a ser visto por outro prisma. Para o
secretário de Florença, ao longo da história “todos os Estados que existem e já existiram são e foram sempre repúblicas ou monarquias.”
Ao tratar da conquista do príncipe aos novos principados ele aponta para quatro
maneiras de conquistas. Entretanto, limitaremos a comentarmos apenas duas. A
primeira delas, era a virtù, na qual se encontra inserida a capacidade pessoal
do príncipe em saber alcançar seus objetivos. O outro caminho apontado por
Maquiavel é a conquista do principado mediante a fortuna. Representada com o
que popularmente chamamos de sorte. Para Maquiavel, as duas devem se fazer
presentes no mesmo quinhão da trajetória do príncipe. Entretanto, Maquiavel entendia
que os principados que são conquistados pelo caminho da virtù, conseguem uma
maior durabilidade, dos que são conquistados mediante a fortuna, pois segundo
ele, os mesmos possuem uma menor instabilidade, por isso tende uma menor
duração.
Caso Maquiavel morasse no Brasil,
certamente acrescentaria mais outro caminho para o príncipe chegar ao poder.
Teria que acrescentar o apadrinhamento político. Dependendo do peso do
padrinho, ou da madrinha, o “afilhado” chega ao principado sem muito esforço. Até
aqueles que não são dotados do que a teoria weberiana chama de carisma. Basta
apenas seguir os passos percorridos ou sugeridos por aqueles que o orientam e o
sucesso eleitoral estará praticamente garantido. Porém, um dos grandes
problemas do apadrinhamento político é que geralmente o afilhado é picado pela
mosca azul e aos poucos resolve se separar do padrinho, acreditando ser
possível voar mais alto sem que tenha que pedir a benção para o feito. A partir
daí, torna-se praticamente inevitável o rompimento, já que o afilhado passa ser
visto como um traidor. Mas o Cardeal Richelieu já havia alertado que “traição em política é questão de tempo.”
Comentários
Postar um comentário