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UM PAÍS TRAJANDO LUTO


O mês passado (abril), fui tomado de surpresa com a notícia do internamento em estado grave do imparagonável Aldir Blanc. Desde tenra idade, aprendi admirar sua obra. Tanto é que recentemente, recebi uma mensagem em que a pessoa agradecia afirmando que eu era o responsável em apresentar a obra de Aldir Blanc a ela. Pelo agradecimento, conclui que fiz o bem.
  O memorável Aldir Blanc deixou 607 composições musicais, fora livros como Porta de Tinturaria, Direto do Balcão, Artistas e Arredores, O Gabinete do Doutor Blanc: sobre jazz, literatura e outros improvisos. Além de uma biografia escrita por Luis Fernando Viana, intitulada Aldir Blanc; resposta ao tempo. Ainda escreveu artigos e crônicas para O Pasquim e jornais de grande circulação nacional.
  Antes de se tornar um compositor consagrado, Aldir trabalhou como médico, mas resolveu abandonar quando suas filhas gêmeas recém-nascidas morreram, pois entendera que se não teve capacidade para salvá-las, de nada adiantava exercer a medicina. Suas atenções voltaram-se principalmente as parcerias musicais. Entre os parceiros destacam-se Djavan, Maurício Tapajós, Guinga, Moacy Luz com o qual deixou uma música inédita intitulada Palácio de Lágrimas. Mas foi com João Bosco onde viveu seus momentos de glória. Não foi debalde que em oito anos, Elis Regina gravou vinte músicas da dupla. Entre todas, a minha preferida é Corsário. Porém, O Bêbado e a Equilibrista tornou-se o hino da anistia, sendo cantarolada pelos quatro cantos do país e a preferida de Aldir Blanc.
  Com o passar dos anos, Aldir foi ficando cada vez mais recluso. Sair de casa era algo praticamente impossível. O poeta que descreveu com maestria o Rio de Janeiro, quase não mais caminhava pelas suas ruas da cidade que tanta amava. Ferrenho admirador de Noel Rosa (o poeta da Vila), Blanc faleceu na data em que fazia oitenta e três anos do ocorrido.
  Certa vez, Zuza Homem de Mello disse que há artistas que deixam um hit e outros deixam uma obra. Com certeza Aldir nos deixou uma obra, por isso será sempre lembrado como um expoente da verdadeira Música Popular Brasileira.



Comentários

  1. Vai ficar deixar saudades na mpb a música Brasileira agoniza com tanta porcaria.

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