Certa vez, estávamos em um determinado local
quando alguém nos apresentou a um jovem, onde imediatamente foi feito o
comentário de que o mesmo gostava de política. Confesso que fiquei animado com
o distintivo atribuído a ele. Para minha surpresa, a política que ele gostava
não era a boa política, aquela que procura fazer uma reflexão apurada dos fatos
e se esforça para não carregar nas análises axiologias que foram construídas ao
longo dos anos, prejudicando a tão decantada neutralidade. Para ele, política
era exclusivamente fazer apologia ao seu candidato, e que qualquer coisa que se
apresentasse como antagônico ao que julgava ser correto, simplesmente ele
tentava desqualificar sem qualquer embasamento científico, mas fundamentado na
velha “ciência” chamada de achismo. Assim, o jovem rotulava tudo aquilo que julgava
como produto maléfico, as ideias do seu candidato.
Infelizmente, pessoas como ele tem se
tornado algo rotineiro, pois muitos preferem os arroubos oratórios, a uma
análise aprofundada. Mas é querer demais, a um povo que como disse Platão em
sua obra Górgias, que “... a massa gosta tanto da lisonja, está com tanta fome
de mel, que por fim o mais astucioso e mais inescrupuloso lisonjeador,
intitulando-se protetor do povo, galga o poder supremo”. Que nos diga o Império
Romano.
Ainda não aprendemos que as transformações
de qualquer sociedade se torna possível com a participação de todos e não com o
velho D. Sebastianismo. Ou se entende assim, ou seremos eternamente uma
sociedade a procura de um herói.
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