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ENTREVISTA COM O CIENTISTA POLÍTICO MICHEL ZAIDAN FILHO


ENTREVISTA COM O CIENTISTA POLÍTICO MICHEL ZAIDAN FILHO

Blog - Quando e como começou o seu interesse por política?
Michel Zaidan Filho - O meu interesse foi despertado na UNB (Universidade Nacional de Brasília) no ano de 1976, no bojo de uma greve que paralisou a Universidade por quase um semestre, em função da invasão policial e da prisão de muitos estudantes, entre os quais eu estava incluído. Depois, pela minha passagem pela UNICAMP (Universidade de Campinas) e finalmente durante o período em que trabalhei na Universidade Federal de Campina Grande. Ali foi o local da minha militância partidária e sindical. Por conta da Associação dos Professores. De modo que, considero o meu batismo em Campina Grande. Quando cheguei ao Recife no ano de 1986, eu já estava bastante envolvido com a análise política e de escrever a respeito do assunto. Continuei atuando na política, sempre no campo da esquerda.
Blog - Parece que em Pernambuco a política proíbe as pessoas divergirem. É por isso que você é tão perseguido?
MZF- Eu lamento muito, pois aqui é como se diz: “Quem não é Cavalcanti (e) é cavalgado.” Pernambuco é uma província muito abafada, parece que para as pessoas fazerem alguma coisa, tem que beijar a mão de algum chefe oligárquico. Os que estão fora de alguma “igrejinha” ou “panelinha” sofrem muito em Pernambuco. Ou seja, os independentes sofrem bastante, pois a tradição da política pernambucana é clientelista. E a esquerda também se enquadra no mesmo modelo. Embora se diga de esquerda, está alinhada com os que comandam o Estado. Houve uma tentativa de romper com a dicotomia da política pernambucana, quando o PT conseguiu eleger o prefeito da capital. Parecia que a vitória iria criar uma terceira via. Infelizmente, a tese não prevaleceu. A tentativa da reeleição de João da Costa sofria problemas internos e isso facilitou sua implosão por parte dos seus adversários. Isso fez com que se voltasse à disputa entre os dois lados. O quadro atual é de muita incerteza. Tenta-se repetir uma polarização, que ao meu entendimento é muito atrasada.
Blog - E o cenário político nacional?
MZF- Houve uma opção por parte do PT em atrelar à sucessão presidencial a figura de Lula. Acredito que por mais forte que seja o nome, acho que limita muito o panorama sucessório. Acredito que estamos encerrando um ciclo político que foi caracterizado pelo PSDB e o PT. Caso Lula concorra, não constitui uma renovação, mas um prolongamento do que o PT implantou. Vivemos um momento de incerteza política e jurídica. Acredito que o PT tem um plano B, embora não diga. É possível que mesmo preso, Lula consiga fortalecer o candidato do seu partido. Entretanto, o panorama das outras candidaturas é de fazer medo a qualquer um. Há quem diga que tirando Lula, fortalece Bolsonaro, depois de Bolsonaro, vem Marina, que acredito não ter chance. No candidato do PSDB, não vejo competitividade e Meirelles pelo PMDB, não faço muita fé, já que o partido é uma federação de grupos oligárquicos, inclusive em Pernambuco. Mas a dissidência não é apenas aqui.


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