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PROCURA-SE UM HERÓI


O cenário de incerteza com relação ao quadro eleitoral que vive o Brasil, deixa brecha para que aventureiros se apresentam como solução para os problemas nacionais. Fruto de uma sociedade que não tem como trajetória participar ativamente em busca de novos horizontes, a população brasileira ainda não percebeu e talvez jamais venha perceber, que as mudanças de uma sociedade, ocorrem com muita luta. Grandes e pequenas conquistas ao longo da história, só ocorrem por causa da luta de um povo. Não foi por acaso que Ihering disse o seguinte em sua obra A Luta Pelo Direito: “Todas as grandes conquistas que a história do direito revela – a abolição da escravatura, a servidão pessoal, a liberdade de aquisição da propriedade imóvel, a liberdade de profissão e de culto, só foram conseguidas após lutas renhidas e contínuas, que duraram séculos.”
     A necessidade de heróis na sociedade brasileira, criou algumas personagens, com o intuito de preencher lacunas. Assim foi criado Pelé como o melhor jogador de futebol do mundo. Com sua aposentadoria se tentou transformar Zico em seu sucessor. Airton Sena é fruto da necessidade de heróis nacionais. Tornando mais forte, com sua morte trágica.
     Talvez os heróis que mais se assemelham a sociedade brasileira, seja João Grilo, Macunaíma e outros que seguem a mesma conduta. Mas em tempo em que alguns analistas escravos das expressões da política da Terra de Tio Sam, introduziram o outsider, que nada mais é do que um tipo de aventureiro, que se adequa ao comportamento político nacional. Nada mais natural, já que o eleitor tem demonstrado indiferença com relação ao desejo de eleger seus representantes. Quem possui um tipo de discurso diferente do que se entende por continuísmo, surge como se fosse o   novo.
     Ao invés de procurarmos heróis, deveríamos aguçar o espírito de luta. Certamente servirá como antídoto aos que estão sempre prontos a usurpar as conquistas sociais.


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