Antes de tudo, fugindo das generalizações, não devemos fechar
os olhos para algo que julgamos relevante. A Península Ibérica foi constituída
a partir da guerra. As lutas contra o domínio romano, e a ocupação germânica,
foram contestadas pelos mouros. Assim, o reino de Portugal foi fruto de muita luta,
segundo Raymundo Faoro. Foi através de golpes que fora construído um imenso
patrimônio rural, sem separar o que era público daquilo que era privado. Não
era por acaso, que a Coroa possuía o direito de herdar o patrimônio de quem
cometia crimes ou traições. Aqueles que eram considerados vilões e que não
haviam constituído família, o reino tornava-se herdeiro de todo espólio. Isso
fez com que durante o reinado de D. Afonso, a Coroa adquirisse um patrimônio
que sobrepujava o do Clero. Contudo, o rei promovia doações para alguns que
perdiam o patrimônio em aventuras pelo Velho Mundo.
Durante o reinado
de D. Dinis, os nobres sediam seus soldados para lutarem, em troca eram isentos
de pagamento de tributo. Como se percebe nada é fruto do acaso, sempre existe
uma causa primeira. Porém, isso não significa viver eternamente inerente a ela.
Cabe a cada um, percebendo que a mesma não lhe é salutar, procurar refutá-la.
Muito menos, usar como desculpa para justificar todas as mazelas que ocorrem na
trajetória de qualquer sociedade. Pelo contrário, devem ser tiradas lições com
os erros do passado, visando dias melhores e procurando não repetir aquilo que
em um dado momento histórico foi visto como natural, mas que não passava de
algo danoso a qualquer povo.
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