Sou de uma geração que não teve a oportunidade de estudar
filosofia e sociologia durante o período colegial. Naquela é poça, o que se
tinha era OSPB (Organização Social e Política do Brasil) e Moral e Cívica. Ou
seja, qualquer coisa que buscasse aprimorar a capacidade de pensar e conseqüentemente
desenvolver o senso crítico era tolhida. O único Sócrates que se ouvia falar
com freqüência era o jogador do Corinthians.
A eleição de 1982,
foi um marco na história política brasileira, o voto direto para os
governadores dos Estados estava de volta. No Rio de janeiro contrariando as
pesquisas é eleito Leonel de Moura Brizola, tendo como vice Darcy Ribeiro que
também ocupou a secretaria de educação daquele Estado, trazendo de volta às
disciplinas de filosofia e sociologia as escolas. Embora atualmente as
referidas disciplinas sejam obrigatórias nas escolas, o ranço deixado pelo
passado, faz com que até os dias atuais, produza na mente de boa parte da
população que essas matérias não servem para nada. Não foi por acaso que
Marilena Chauí em seu livro Convite à Filosofia, afirma que é comum pessoas
questionarem para que serve filosofia? Mas ninguém questiona para que serve
matemática?
Recentemente, a
prova do ENEM causou verdadeiro pandemônio na vida da maioria dos que se
submeteram ao exame e o motivo para tanta lamúria foi que a prova de humanas
priorizou de maneira contundente as disciplinas de filosofia e sociologia.
Cabendo a seguinte interpelação: o que levou a tanta celeuma a prova do ENEM? É
O reflexo de uma população que não foi preparada e há aqueles que não querem
pensar. Preferem viver na mesmice da alienação. Porém, uma coisa agora se sabe,
filosofia e sociologia servem para castrar a chegada de muitos nas
universidades.
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