Não é de hoje que
se sabe da situação precária em que se encontra a maioria dos presídios e
penitenciárias do Brasil. Parte do problema deve-se a um entendimento
equivocado de uma parcela significativa dos governantes que se assemelha ao
pensamento da maioria da população, de que aquele que comete algum tipo de
delito deve ser tratado da pior maneira possível, acreditando que assim estará
contribuindo para arrefecer a criminalidade no país. Ocorre que, ao defenderem
que o Estado adote uma conduta de barbárie para aqueles que estão nas
masmorras, geralmente só encontra guarida, até quando a medida não atingir
ninguém que faça parte do convívio dos implacáveis defensores do tratamento
mordaz.
Ao término do
julgamento da Ação Penal 470 no Supremo Tribunal Federal, o atual ministro da justiça,
chegou a declarar que preferia morrer a ser preso no Brasil. Por qual motivo é
que só agora se escuta uma declaração tão verdadeira em relação ao sistema
prisional brasileiro? Não que não se fale a respeito do assunto, mas por parte
do próprio ministro é algo inovador. Será que a declaração está atrelada ao
resultado do julgamento da Ação Penal 470, onde alguns dos condenados faziam
parte das rodas de conversa do professor de filosofia Jurídica da USP?
Muitos dos animais
jamais receberam tratamento nos moldes que os apenados recebem nas
penitenciárias do “país do futebol”. Na verdade, são verdadeiros depósitos de
homens, jogados no bueiro da história, onde a ressocialização fica apenas no
campo das utopias. Mas estamos em ano eleitoral e se as pesquisas qualitativas
demonstrarem que o povo deseja um melhor tratamento a população carcerária, não
faltará quem se apresente como um ferrenho defensor da causa, mesmo que sua
trajetória política sempre esteve divorciada dessa bandeira.
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