Durante o período de cada eleição presidencial, sempre aparecem temáticas que são entendidas como de grande relevância para os candidatos. O problema do aborto foi bastante explorado nas eleições de 2010, e agora estão tentando trazer para o centro do debate o mesmo tema. Antes que ganhem proporções significativas na campanha para à presidência da República, torna-se de grande importância repensarmos a respeito da importância do tema para o debate presidencial.
Introduzir o problema do aborto como algo que deva fazer parte do programa de um candidato à presidência fere a competência dos poderes, pois o tema deve ser discutido pelo Legislativo. Parece-nos que os candidatos disputam a presidência, e não a cargos eclesiásticos. Mas tudo isso ocorre pelo fato de que grande parte daqueles que almejam governar o País, não tem um projeto para governar, mas para chegar e permanecer no poder. Não é possível que um país como Brasil, com tantos problemas que precisam ser solucionados, a temática das eleições presidenciais girará em torno de uma agenda permanente, onde o assunto é sempre o mesmo.
Não que o aborto não seja algo que precisa ser discutido de maneira clara e sem hipocrisia pela sociedade, mas colocá-lo como um dos temas de campanha à presidência da Reública é, no mínimo, uma tremenda irresponsabilidade de quem alimenta o debate em torno do assunto.
Talvez seja porque muitos querem que o Estado seja uma extensão do credo religioso que abraçam, esquecendo que o Estado é o Estado e a Igreja é a Igreja.
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