Era o ano 2002, quando em uma conversa com
o então deputado Carlos Lapa indaguei qual ou quais critérios eram adotados
para que alguém fosse agraciado com o título de cidadão pernambucano. Na
oportunidade, recordo-me que o nobre parlamentar foi incisivo, afirmando que em
todos os mandatos que exerceu, procurou portasse com prudência para propor que
alguém recebesse a referida honraria.
Infelizmente, não é de hoje que existe
certa banalização para conceder a alguém o título de cidadão de alguma localidade.
Muitos dos quais se quer conhecem o local, demonstrando não ter nenhuma
identificação. Mesmo assim, há aqueles que insistem em homenageá-los simplesmente
por admiração. O interessante é que no que tange as casas legislativas, muito
se tem o que se fazer prol da população, mas lamentavelmente, os que recebem o
privilégio de representar o povo e buscar tomar decisões que reverberem de
maneira produtiva a todos, preferem fazer proselitismo em torno daquilo que lhes
apraz.
As recentes querelas causadas pelas
decisões oriundas de duas casas legislativas pernambucanas, que resolveram de
maneira soberana, conceder o título de cidadão ao ex-presidente da república
que governou Pindorama de 2019 a 2022, merece uma análise pelo campo da
profilaxia social. Entendendo que também
é legítimo discordar ou é proibido? Afinal, muitos defendem liberdade apenas
quando lhes convém. O caso em tela provoca a seguinte interpelação: como alguém em que às vezes que foi testado nas urnas, não obteve maioria
na localidade, é homenageado pelos que se dizem representantes do povo? Bastava aos edis atentarem para o fato, mas
talvez seja querer muito. Resta aos que amam e respeitam a história, o desejo
cada vez maior de abroquelá-la.
Olinda, 12 de abril de 2025.
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é cientista
político e membro do IHO.
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