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FÉ OFICIAL

 

Durante os primórdios da formação do Brasil, em dado período, havia uma relação quase que inseparável entre a Igreja e o Estado. Era algo tão perceptível que as cessões eleitorais em boa parte, funcionavam dentro das igrejas e os nomes dos votantes eram afixados nas portas dos templos. O fim da parceria  entre o Catolicismo Romano e o Brasil só veio ocorrer de maneira oficial com a chegada da República. Agora, o país não tinha uma religião oficial, a partir daí, predominaria o Estado laico. Mesmo assim, até hoje, encontramos vestígios da religião oriunda de Roma, para tanto, basta observar os feriados existentes ligados aos santos.

     Embora durante alguns séculos o Catolicismo Romano fora quase hegemônico em terras brasileiras, não significa afirmar que não houvesse a divulgação de outros credos. Como exemplo, temos a presença pujante dos holandeses na Região Nordeste. Os mesmos professavam a fé reformada (popularmente conhecida como calvinismo). Sem deixar de mencionar a presença das religiões de origem africana que por causa das perseguições, seus rituais eram realizados de maneira velada. Os anos se passaram, mas a presença da religiosidade no povo brasileiro é algo que não deve ser menosprezado. Principalmente por aqueles que almejam ocupar algum cargo público oriundo diretamente das urnas. Atualmente, a relação entre religião e política tem se dado principalmente entre as igrejas pentecostais e neopentecostais que em cada pleito eleitoral apresentam candidatos oficiais, visando defender seus interesses. Nos últimos anos, salvo melhor juízo, muitos desejam que o Estado se transforme em um apêndice de sua fé, não medindo esforços para tolher qualquer pensamento que não esteja atrelado ao que acredita. Agindo assim, no mínimo é afrontar o que foi defendido no período da pós-reforma. É bem verdade que tanto o pentecostalismo e o neopentecostalismo passam bem distante das propostas defendidas pelos reformadores e seus sucessores, mas é que lamentavelmente, a mosca azul anda picando até alguns que não são dos referidos grupos.

 

Hely Ferreira é cientista político.

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