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PENSAMENTO DESCARTÁVEL

 

Na visão hegeliana a falta da consciência se si, gera consequentemente o não conhecer do outro. Esse pensamento nos reporta para a ideia  frankfurtiana do que se entende por cultura de massa. Não existindo conhecimento com relação ao pertencimento de um grupo social, não há como existir homogeneidade. Se assim entendermos que o grupo não se reconhece como tal, conclui-se que consomem qualquer modismo e o descartam quando não mais lhe interessar. Sendo assim, quanto menos o modismo perdurar, mais forte será o consumismo, vez que, na cultura de massa o que prevalece é tudo aquilo que seja visto como descartável.

     Na visão da indústria cultural, não se promove a educação dos sentidos, pois a arte é privilégio para poucos. Por isso, Adorno e Horkheimer entendia que existe relação direita entre cultura de massa e injustiça social, patrocinando a alienação que consequentemente, induz o indivíduo a viver divorciado da realidade, reproduzindo o conformismo de valores impostos. Na visão deles, talvez, o maior perigo é por intermédio da comunicação de massa transformando as pessoas em um grande rebanho de seres passivos, se tornando impossibilitadas de qualquer tipo de transformação da realidade. Observando atentamente a ideia dos teóricos, percebe-se que os produtos oriundos da indústria cultural não podem ser vistos como alternativa para o lazer, ou até mesmo como meio para se adquirir conhecimento e consequentemente acendrar o espírito crítico. Pelo contrário, devem ser entendidos como forma de levar o indivíduo a um tipo de sono, proporcionando o descaso para com os fatos que estão ao seu redor.

 

Hely Ferreira é cientista político.

 

 

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