O modus operandi do sistema
partidário brasileiro é mesmo desafiador para todo aquele que pretende entender
seu funcionamento. Com uma quantidade significativa de siglas, muitos
questionam se existem tantas correntes ideológicas para fomentarem os partidos
políticos do Brasil. Antes de tudo, é bom lembrar que grande parte foram
forjados em querelas internas, projetos
pessoas ou por causa da sobrevivência eleitoral.
Em ano de eleição, a disputa para qual
sigla consegue ampliar o número de filiados torna-se algo natural. Alguns
buscando ampliar seus membros procuram pescar no aquário alheio. Afinal, é uma
das maneiras que os partidos encontram para demonstrarem seu cabedal, mesmo que
parte dos novos filiados não possuam nenhuma identificação com o conteúdo
programático da agremiação. Assim, alguns hoje se filiam em partidos de cunho
socialista, na outra eleição em um liberal e na próxima em um da socialdemocracia.
Além da luta pela permanência do poder, a chamada classe política brasileira já
se apercebeu que a maioria dos eleitores não se preocupa com o partido que o
candidato encontra-se filiado, mas exclusivamente com ele. Demonstrando que o
voto não é programático, mas personificado.
O cientista político Olavo Lima Júnior já
demonstrou em uma de suas obras que o crescimento dos partidos nacionais, estão
atrelados ao líder político, ou seja, o crescimento é do prestígio da liderança
e não da sigla, onde a chegada de novos quadros, nem sempre é sinônimo de
renovação. Aliás, a renovação é mais pela idade do que pelas ideias, garantindo
assim as velhas oligarquias.
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é cientista
político.
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