Entre tantos desafios existentes no
Brasil, no que tange as questões partidárias, talvez o melhor caminho para se
entender é buscar suas raízes históricas. Logo após quando se viu independente
de Portugal em 1822, o Brasil se tornou uma monarquia constitucional, onde o
sistema partidário se consolidou durante o Segundo Reinado, em que se tinha o
bipartidarismo composto pelo Partido Conservador e o Partido Liberal.
Alternando-se no poder, aos moldes do que estava ocorrendo na Inglaterra. Mas
em 1870, o Partido Republicano já organizado, começou a propagar ideias
antagônicas ao governo monárquico.
Na chamada Primeira República, os clubes
republicanos se tornaram Partidos Republicanos estaduais. Anos depois o grupo
paulista e mineiro exerceram protagonismo na política nacional, o tão conhecido
“café com leite”. Ao final da década de 1920, o modelo em voga se mostrou
insuficiente para acompanhar os desafios sociais e econômicos da época, sendo derrotado
pela “Revolução” de 1930. Os 15 anos seguintes, a atividade partidária se
limitou aos anos de 1933 a 1937. Mesmo assim, o sistema partidário não se
libertou das esferas estaduais. Embora existisse tentativa de uma
nacionalização, fruto da polarização entre direita e esquerda oriunda do Velho
Continente. Com a carta Magna de 1946 e consequentemente o retorno ao estado de
direito, logrou êxito a ideia de Partidos nacionais, tendo como destaque o PSD,
PTB e UDN.
Entre os anos de 1945 a 1965, o país
passou a ter treze partidos com representação no Congresso Nacional. Com a
chegada dos militares ao poder a partir de 1964, o Ato Institucional n°2, impôs
o bipartidarismo, surgindo a ARENA e o MDB. Mas nos últimos cinco anos do
regime militar, obteve-se o pluripartidarismo, onde de início se teve seis
partidos. Com o retorno do governo civil, modificou-se a legislação,
facilitando a criação de novas legendas partidárias. Fazendo com que em parte
ao longo dos anos, tenham se transformado em patrimônios de famílias, controlando
o destino dos mesmos, recebendo ou tolhendo a entrada de novos quadros, pois não
são vistos como um espaço democrático, mas um espaço para a perpetuação das
oligarquias.
Olinda, 28 de outubro
de 2023.
Sem ódio e sem medo.
Hely Ferreira é
cientista político.
Comentários
Postar um comentário