Pular para o conteúdo principal

ARQUIVAR NÃO É ABSOLVER

 

Segundo relatos históricos, o impeachment tem origem na Inglaterra a partir de 1376 por intermédio de Eduardo III. Onde  a Câmara dos Comuns formulava acusações contra o rei e seus ministros, e a Câmara dos Lordes tinha a competência para julgar. Longe em ser unanimidade, na obra Teoria e Prática do Governo Moderno, Herman Finer debate exaustivamente o tema. Lembrando que para uma parcela significativa de especialistas, o mesmo é um  instrumento inútil; tornando-se em desuso no parlamentarismo, vez que, foi sufocado pela moção de responsabilidade.

    Longe de querer formular juízo de valor se a aplicação do impeachment foi medida acertada com relação à primeira mulher eleita à Presidência da República Federativa do Brasil, recentemente, o atual Presidente, declarou que a ex-presidente Dilma Rousseff foi absolvida da acusação que lhe fora imputada, ou seja, as pedaladas fiscais. Ora, em nenhum momento o TRF-1 prolatou sentença absolutória à Senhora Dilma, mas seguiu uma decisão do Supremo Tribunal Federal de que se alguém foi responsabilizado politicamente, não há motivo para sofrer pena em outro tribunal. Portanto, se quer foi discutido o mérito. Sendo assim, a tentativa de devolver simbolicamente o mandato a ex-presidente, por ter sido absolvida, não passa de mero devaneio, ou fake news, vez que a absolvição não ocorreu e sim o arquivamento.

 

Olinda, 9 de setembro de 2023.

Sem ódio e sem medo.

Hely Ferreira é cientista político.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ENCONTRO DE MEGALOMANÍACOS

       Em um mundo cada vez mais globalizado, as relações internacionais se tornaram extremamente necessárias para o bom andamento entre as nações. Buscar o isolamento poderá causar sérias consequências para o bom andamento econômico. A postura adotada com relação às questões econômicas, pelo presidente da considerada maior potência mundial, acendrou a repulsa de outros governantes. Afinal, no mundo da política, geralmente, o que prevalece é o pragmatismo.      O modelo de economia hegemônica, adotado pelo presidente da terra do Tio Sam, sofre dificuldade de se manter de pé. Afinal, o mundo mudou e consequentemente os padrões de negociações internacionais também estão passando pelo processo de mudanças. Uma agenda imperialista aos moldes atuais é difícil sobreviver.      Enfim, a expectativa que fora criada com relação à participação do governo brasileiro e o governo dos Estados Unidos na recente Assembleia da ONU, pel...

SINAL COLORIDO

       Depois de mais uma rodada de pesquisa divulgada com relação ao desempenho da popularidade do governo federal, percebe-se que existe claramente, uma queda vertiginosa de aceitação perante a opinião pública. Na verdade, o quadro atual, serve para acender todas as luzes do semáforo, se é que ainda se tem alguma possibilidade.       Talvez, um dos maiores adversários do governo seja o tempo. Pois, parece que cada vez em que tenta se reerguer, um novo problema aparece, e consequentemente, sobrepujando qualquer possibilidade de recuperação da popularidade. Entre os dados apresentados na mais nova pesquisa, o declínio da popularidade do governo entre os que professam o catolicismo romano, justamente no momento em que se tentava descobrir uma forma de aproximar-se com os pentecostais e neopentecostais, provavelmente, ampliou o grau de preocupação.      Havia certa apologia de que a fraca popularidade do governo est...

EM OLINDA, TUDO DO MESMO JEITO

         Durante o período das eleições municipais do ano passado (2024), tive o privilégio de participar das sabatinas promovidas pela Rádio Folha FM, com os candidatos ao cargo de prefeito, de várias cidades, dentre as quais, da cidade de Olinda. Em um dado momento, questionei,   à época, da   candidata e, atualmente prefeita se ela mesma abriria diálogo com entidades que se preocupam com patrimônio histórico local.   Na oportunidade, ouvi da candidata que o diálogo seria mantido. Confesso que fiquei estupefato, vez que, até aquele momento, em especial o Instituto Histórico de Olinda havia requerido audiência com o chefe do poder executivo municipal, mas sem ter até aquele momento, nenhuma resposta. De imediato, a candidata se mostrou solícita em querer resolver o problema, tanto é que, na disputa do segundo turno das eleições, ela fez questão de mencionar durante o programa de rádio que havia procurado saber do caso. Entretanto, a resp...