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BENEFÍCIOS E MALEFÍCIOS DE UMA CAMPANHA ELEITORAL

 

     Antes de tudo, devemos lembrar do Walter Benjamin em seu famoso texto Rua de Mão Única. Sendo assim, os fatos históricos devem ser contados não apenas por um víeis. Durante o período eleitoral torna-se possível observar os malefícios e os benefícios que ocorrem durante o calendário eleitoral. Entre benefícios, um deles é a aproximação produzida entre o eleitor e o candidato. Na busca pelo voto, parte dos candidatos se comportam como se tivessem alguma identificação com o eleitorado. Sendo assim, o aperto de mão e o abraço, são incorporados ao comportamento. Adentram nas residências mais humildes, sentam-se ao lado do eleitor e alguns até choram com o estado de fome e de miséria que campeia na vida da população. Prometem o que sabe que não vão fazer, mas o eleitor bem-intencionado, deposita um pouco da esperança que ainda existe. Entretanto, há um grupo que se preocupa em acompanhar à conduta dos seus representantes e quando não corresponde, procura expurgar por intermédio do voto, os que não honram o mandato que lhe fora concedido.

     No que tange aos malefícios, os mesmos são mais constantes na vida da população. O descaso do poder público para com os que mais precisam é algo rotineiro. Filas e tetos de hospitais desabando. Os buracos fazendo aniversário e para não falar na falta de espírito público. Preferem priorizar o espírito privado, em clara demonstração que o projeto não é de governo, mas para manter-se no poder. Não é por acaso o crescimento de cargos criados com salários que fogem da realidade do que parte significativa da população recebe. Não é exagero afirmar, que os óbolos são os mimos que são repassados para os asseclas. Até mesmo, quando se propaga que as benesses são temporárias. E tem que ser, pois tudo na vida tem fim e o fim parece-nos que vem chegando de maneira tenaz.

     Talvez um dos grandes malefícios de uma campanha, seja o jogo baixo que alguns adotam para permanecerem no poder. Utilizam métodos escusos até com seus companheiros de chapa, além de procurar tolher o surgimento de novas lideranças.  Para tanto, praticam guerra hobessiana, destilando veneno de víbora que saem dos seus lábios, o olhar parcialmente mortal e mesmo assim, ainda posa de bom moço.

 

Olinda, 11 de setembro, 2022.

Sem ódio e sem medo.

Hely Ferreira é cientista político.

 

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