Com o fim do prazo para
trocar de partido para os que estão aptos em disputarem algum cargo nas
eleições do ano em curso, percebe-se que o pragmatismo em torno da
sobrevivência eleitoral, sobrepujam as questões ideológicas. Depois que o Poder
Judiciário entendeu que o mandato (dependendo do cargo em disputa) pertence ao
partido e não ao detentor dele, ocorreu certo arrefecimento na troca
desenfreada de partido oriundo dos candidatos. Para tanto, criou-se a chamada
janela partidária que é uma a fórmula encontrada para que se mude de agremiação
sem ser penalizado.
Lamentavelmente, grande parte das
mudanças, não estão no campo ideológico ou programático. A necessidade da
sobrevivência eleitoral, faz com que o período permitido para troca de partido,
se torne um verdadeiro mercado persa. Para muitos, passa bem distante qualquer
identificação com o partido, predominando o caminho encontrado para manter-se
no poder. O quadro atual da troca de cadeiras, fez com que o partido que mais
cresceu tenha sido o que o atual presidente tentará à reeleição. Há alguma
surpresa? De maneira nenhuma! Aqueles que acompanham os acordos dos bastidores
da política, sabem que é um processo natural, o crescimento ou “inchamento” da
chamada base do governo. Quem não gosta de ser amigo do rei? Entretanto, isso
não significa sua permanência. Qualquer candidato que obtenha sucesso
eleitoral, as aves de rapina procurarão aproximarem, pois não conseguem viver
longe daquilo que os nutrem, ou seja: o poder. Certo disse Maquiavel ao afirmar que o amigo
do príncipe é o poder. Assim, os antigos opositores se tornarão novos aliados,
e não raras vezes com mais prestígio do que os velhos. Afinal de contas,
geralmente na política o valor se consegue pelo cabedal eleitoral e não pela
meritocracia intelectual. Os adversários de ontem, em pouco tempo se tronarão
asseclas de quem se encontra no poder.
Olinda, 07 de abril de
2022.
Hely Ferreira é cientista
político.
Comentários
Postar um comentário