O saudoso cientista político Robinson
Cavalcanti costumava contar que quando estava no IUPERJ, ocorreu uma palestra
de um teólogo suíço em que o tema exposto foi Religião e Política. Segundo
Robinson, o auditório estava praticamente vazio, pois a época muitos entendiam
que o tema era algo irrelevante e até mesmo superado. Mas os tempos mudaram e
cada vez mais tem se tornado objeto de estudo no mundo da academia. Tornando
necessário aguçar o resgate histórico, para entendermos o fenômeno atual.
O autoritarismo sempre se fez presente na
política nacional. E alguns elementos são facilmente identificados. Entre eles a
questão hierárquica e oligárquica determina o posicionamento de cada indivíduo.
As condições econômicas, a origem familiar estão entre as que contribuem pata
tal comportamento. A segunda característica do autoritarismo nacional é
possível encontrar no comportamento da elite nacional que promove o processo
seletivo pelo víeis da teoria de Darwin.
Na opinião de Sorj, o conceito de
religiosidade e modernização estão dissociados da política nacional, onde o que
prevalece é o discurso messiânico, construído no imaginário popular, fazendo
surgir candidaturas vitoriosas a Presidência da República como nos anos de
1989, 2002 e 2018. O discurso religioso salvacionista também se fez presente na
famosa Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Sendo promovida pela chamada
ala conservadora do catolicismo romano. Com relação ao movimento, disse o
Senhor João Goulart ao Correio da Manhã: “nas grandes passeatas os cartazes não
eram dirigidos contra a pessoa do presidente ou contra as reformas de base por
ele preconizada. Todos visavam a atingir o sentimento profundamente religioso
do povo e mostrar o perigo iminente da tomada pelos comunistas”.
Em
1891, quando passou a vigorar a primeira Constituição Republicana, onde foi
separado o Estado brasileiro da Igreja Católica Apostólica Romana, mesmo assim,
a política era controlada pelas oligarquias ruralistas, sufocando a
participação dos protestantes. Vale lembrar que, Joaquim Paranaguá, médico,
abolicionista e republicano, foi deputado constituinte, e senador até 1906,
quando deixou o senado, tornou-se membro de uma Igreja Batista. Porém, a
chegada dos pentecostais em terras brasileiras, aos poucos vai sendo mudado a
forma de encarar a política partidária. Os precursores que por aqui chegaram,
eram sectários e antagônicos a participação na política. Basta observar que,
entre 1933, 1934 e 1946, apenas um protestante participou da constituinte, o
pastor metodista Guaracy Silveira.
P.S. Este artigo é um
resumo da primeira parte da palestra proferida para IEVC no Estado do Rio de
Janeiro.
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