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CANSADO DE TRABALHAR

 

 

 

“A maneira de se gerir a abolição do trabalho e o controle social desse processo serão questões políticas fundamentais dos próximos decênios”. (André Gorz)

 

     O sociólogo alemão Claus Offe, disse que “remoralizar o trabalho e trata-lo como categoria central da existência humana devem, por conseguinte, ser consideradas um sintoma da crise, mais do que uma cura”. Na sociedade atual o trabalho tem se caracterizado como uma atividade compulsória pelo fato de que é encarado com obrigatoriedade. Por outro lado, é visto de forma hegemônica pelo fato de que se trabalha obedecendo regras. Na verdade, ambas levam o indivíduo ao trabalho alienado. Paira a seguinte indagação: é possível sobrepujar o processo de alienação que foi desencadeado? Depende muito de como encaramos o trabalho. Aqueles de visão mais crítica vislumbram que tanto o heterônomo, quanto o compulsório são essencialmente alienantes. Tal corrente advoga em abolir o trabalho, ou seja, extirpá-lo da visão alienadora, dando liberdade ao ser humano.

     No Brasil há uma categoria de trabalho que destoa dos estudos sócio-filosóficos. É o chamado “trabalho público familiar”. Destinado aos clãs, desde cedo aprendem como viver do exercício do cargo público. Utilizando “fardas” de grifes famosas como símbolo da ostentação. Por outro lado, há aqueles que precisam acordar pela madrugada para enfrentar as eternas filas dos transportes coletivos de péssima qualidade, e quando precisam de atendimento médico, são submetidos ao relento nos corredores dos hospitais públicos. Mas em ano eleitoral, aparecem os novos messias, com soluções para todos os problemas da população. Aliás, é apenas em ano eleitoral que ela é lembrada. Enquanto os clãs vivem nababescamente, ludibriando os eleitores com o discurso que trabalham em defesa dos seus direitos. Na verdade, os direitos defendidos são os que garantam a permanência de viverem debaixo das asas da esfera pública, pois suar não é com eles. O suor que eles desejam é o da população. Assim vão vivendo e explorando os que ingenuamente acreditam que dias melhores virão, por intermédio das promessas oriundas de cada ano eleitoral.

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