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DINHEIRO NO BOLSO

 

 

  Dizem que em uma cidade interiorana do Nordeste brasileiro, havia um político pertencente a uma dessas famílias que tem como “atividade profissional” exercer cargos públicos. Aliás, a relação entre público privado no Brasil geralmente se confundem. Não é por acaso que muitas administrações públicas, são encaradas como uma extensão da casa do governante. Havendo até funcionários públicos, que são “convocados” para servirem no âmbito privado e até na casa grande.

  Em suas caminhadas, o já mencionado político, costumava andar pelo município com os bolsos cheios de cédulas de pequeno valor monetário, na esperança que alguém lhe pedisse um trocado. Principalmente se o pedinte fosse um dos seus correligionários. Assim, facilmente era lembrado pela população local e em período eleitoral, acreditava que poderia contar com o apoio.

  Aparentemente, o fato narrado ecoa como algo corriqueiro e infelizmente, sabemos que é. Mas através da história é possível tirarmos algumas lições: a primeira delas, é a relação de dependência criada por intermédio da pecúnia adquirida. A mesma produz no cidadão certa “gratidão” pelo que recebeu. Só que por detrás de um gesto aparentemente generoso e desprovido de qualquer interesse, encontramos um dos caminhos adotados para sua permanência no poder. A segunda lição que podemos aprender, é que quanto mais a linha de pobreza era mantida na cidade, mas relação de dependência existia entre o eleitor e o candidato. Com efeito, o estado de miserabilidade da população, era do interesse do político, pois a sua ostentação estava praticamente garantida.

  Infelizmente, atitudes assim, ainda existem pelo Brasil a fora. Onde quanto mais distante dos grandes centros, a desinformação é maior e a prática do assistencialismo se mantém , sendo o principal meio da perpetuação das oligarquias interioranas. Muitas delas, enxergam o município como propriedade privada e a população deve viver na dependência dos “favores” praticados pelos mandarinos do poder local. Que nos diga o coronel Ramiro, com toda sua empáfia, até o dia em que viu seu poder ser abalado por Edmundo Falcão (Dr. Mundinho). Ambos personagens criados por Jorge Amado.


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